terça-feira, 16 de agosto de 2011

Legenda


Garimpou a imagem e encontrou uma palavra
Escreveu na praia do futuro
Uma vista como se fosse paisagem do passado
A dor dormiu
Acordou e fez prece ao natural
Orou pela simplicidade, paciência, perdão e atenção

Lenda é a história que exala fantasia
Mistura caráter ou aparência
O que é o tempo?
Esperar o ponto de tocar na alma
É roteiro dividido
Conhece o fim e abandona 

Amor que vem do mar
Vem vindo, vem puro, vem vento
Percebe que soprar
Só é leve quando alento
A raiz
Sustenta o tormento

Úmido
Lúdico
Doce
Salgado
Brilho
Ardente

Calidoscópio
Capta a imensidão
Som, onda, calefação e frio
Porque a estampa é bordada de fino
Eterniza a proa da beleza
Olha um vislumbre quase tocando a voz

Ouviu?
O barulhinho do clique não deu para escutar
Já o peito serviu de tinteiro vermelho
Apreendendo a rabiscar a primeira palavra
Juntou as letras e viu que o final era:
Começo


Williams Vicente
11 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Galega


















Primeiro o que não conheço
Vem devagar, mas nunca esqueço
Que ela deliu a superfície da ferida
Pariu a dor
Subiu até o altar da lamúria
E lá invocou

Amor
Despiu-se do lamento
Revirou as fotografias
Sonhou que sonhava o que nunca sonhou
Amanheceu vestida de loiro
Impregnada de mistério

Tratou logo de compor uma cantiga
Pintou as notas de amarelo
E saiu costurando a melodia
Uma dicotomia
Sobriedade e devaneio
Graves e agudos discretos

Rima
E a dor, e a dor
E a alegria, e a alegria
Por onde anda o rapaz sagaz
Por que está e não é
O luar dourado da noite fugaz

Incandescente e com sabor delicado
Chorou mil vezes quando o Sol estava apagado
E se banhou de renúncia ao desagrado
Correu para bem perto do alvorecer
Respirou o final da aurora
Até inebriar-se de candura

Caiu de amor por si
Passou a invadir o espaço
Agora não dispensa nenhum compasso
Observa o vai-e-vem do bem-querer
Tão normal, tão fatal
Perfumada de nudez nupcial

Iluminista
Dançarina
Espera
Consoante
Crê
Faz

A penumbra do crepúsculo
Escorre pelo consistório
É lá onde ela augura
Antes de ir fechar a cortina
E guarda sozinha o segredo
Um


Williams Vicente
Para Patrícia Leite, 12 de agosto de 2011