quinta-feira, 31 de maio de 2007

Paraíso tropical - capítulo I: A teoria atômica do amor (minha vida é uma novela)











Entre gemidos, suspiros, sussuros
E como pele macia que transcende ao toque,
O amor.
Recaído sobre nuvens brancas e negras
Meu coração estilhaça-se em partículas inquietas
De amor.
Alva pele e alma de olhos miudos banham-me com a brisa serena,
O Afago.
Ao fogo, o amor alivia-me a dor.
Sofro de amor pueril.
O amor tem sido nada
Além de poeira descansada sobre os contos,
No peito.
Meu peito é feito de lágrima sagrada
Construo vales e rabisco córregos
Por onde escorre sangue.
E meu sangue tanto ferve que é preto
Minhas veias são de amor tonto e tanto
Que se houvesse mais o que dizer
Não existiriam crepúsculo ou aurora
Tom e Vinicius
Nem eu e você.
Mas amor é só enfeite,
À mesa.
A mesa vazia,
Meu corpo nu,
Minha carne crua fragrante
Com cheiro de agonia.
Ao pó.
Sono sem tortura.

domingo, 20 de maio de 2007

Luau MTV 2004






A trancos e barrancos consegui
participar da cobertura do lual mtv 2004, onde pude acompanhar o inicio da ascensao da entao alternativa Pitty. Não gostava muito dela nao, hoje acho que a baiana deu uma melhorada no som e caminha, com abuso, para um bom futuro. Já Humberto, super tímido, sempre teve um som duvidoso. O cara é jóia, mas de fato Engenheiros ora soa agradavel, ora muito chato. enfim, nesse mundo mesqueinho do jornalismo, eu fico com o feito nas digitalizações acima.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Como cães, gatos, ratos e cavalos


Houve tempo que dormia ou despertava com um rato cheirando meu rosto do lado do nariz. Depois o rato enjoou do queijo coalho e partiu para ratoeiras onde o queijo era suíço. O rato ficou preso na pouco nova armadilha sem queijo, sem amor, mas já nao precisava mais andar pelos bueiros.








Daí imaginei que o cheiro do coração roído pelo rato fosse atrair um gato. O bichano apareceu. Felpudo, fofo, delicioso como todo gato é. Os gatos não precisam miar muito para que eu sirva leite. Só que o gato, que naturalmente tende a ficar na dele depois de saciado, percebeu que eu era um cachorro.






E foi-se. Deixou-me pelas madrugadas cozinhando lentilha, achando que era ração. Não era ração, nem havia mais o gato para servir.


















Eu tenho que mudar de vida porque bicho nao compra carro.






Na próxima vida virei um cavalo. Suntuoso, caríssimo, belo, onipotente, alado.








E ainda terei o privilégio de quebrar as costelas da Madonna.








terça-feira, 8 de maio de 2007

Besta-fera

Vim exorcisar.

A escrita, ela mesma é meu interlocutor, o único aliás que me deixa livre de julgamentos. Não que ela substitua seus lábios, mas se não posso senti-los, o que fazer com as horas?

É chão, chuva, prisão. Acordar para o descontentamento.

Depois de dar uma bordoada no amor fiquei com a cabeça partida. Uma avalanche de sensações desanimadoras. Se ao menos o telefone tocasse, eu sentiria vontade. Talvez levantasse das profundezas do raciocínio que não se completa.


O sono não vem e o apetite é desobediente. O cigarro já nao tem mais sabor. O tesão evapora. O coração é preto e só bate de ansiedade. Respirar? não sei do que se trata. Cerrar os olhos está impregnado no semblante. Chorar? se resolvesse... ou só se resolvesse.

Dos mandamentos do amor, dizem que temos que ir a luta mesmo quando não há resposta. Será que vale a pena ficar nu se o amor insiste andar vestido?

Gostaria de ser direto, mas não vou escrever uma peça onde apenas eu atuo. Não é um monólogo e meu coração não pode ser o único agente que deixa a vida - dos outros- de cabeça para baixo. Por maior que seja a dor e independente da impressão, eu sei que minha missão é apresentar-lhe uma nova realidade. A minha inquietação é que nao compartilho de reciprocidade. Eu também alimento ilusões e fantasias - que nao tenho certeza se são só ilusões e fantasias - que precisam de sua contestação. Eu também quero viver um mundo novo.

Sei também que nao posso esperar que invadam minha alma por terem-na compreendido, ou pela simplicidade do amar. Não sei se a ação do tempo mudará o amor em mim. Se houver tempo. Sei que fugir é um desperdício. Por que promovemos esse desperdício?

Eu me desconsertei, eu desperdicei.

Fui possuído pelos demonios capitais e não permiti que minha alma angelical falasse de mim em primeiro plano. Fui condenado por minha maneira de ser.

O caminho da felicidade é extenso e tortuoso e recomecei minha peregrinação. A vida é para quem espera pelo amor desesperadamente.

Sou bom e mau. Sou bem bom e mal mau.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Ro Ro

Ainda lidamos com o amor como se ele fosse possível. Não temos bondade para tirá-lo do mundo das idéias. Vivemos toda tristeza
que é dada porque o amor não se entede ao som da bossa.
O amor desafina ao tocar o samba das condições. Preferimos dormir embalados pelas notas do orgulho e da angústia, para variar. Dormimos?
São dias em que não encontramo-nos, não despedimo-nos e permanecemos perplexos com nossas fraquezas. Ah! se pudéssemos deixar o amor para lá. Voce pode?
Eu não posso. Eu quero é mais. Eu quero, mesmo em sonho, ouvir bom dia e obrigado. Eu é que estou obrigado. Eu sinto e alivio os instantes. E não sossego. Convalesço, resigno-me, ando de um lado para o outro, repudio, rebelo-me.
É devaneio, liberdade, necessidade, ilusão, vaidade, adestramento, doutrina? o quê que impede onde esconde-se?
Depois vem os 30, os 31, 32 e continuamos pensando e falando aresias porque nao temos nada melhor para fazer. O mundo é louco.
Colocaram cachaça na minha mamadeira. Tenho talento para deixar o legado de impressões horrorosas. O mundo é um horror. Mas dizem que a vida é maior. A compaixao está falida.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

A benção


Eu sei que a vida é um prazeroso sofrimento. Mas é um sofrimento. E se é um sofrimento, não vejo mais a morte com tristeza. A morte é mãe da vida. E se eu não chorar, e se eu tiver medo da mãe. E se eu não tiver medo. Eu não gosto de falar, eu não desejo falar, eu não estou para falar. Sou para ser lido. Alma não fala. Alma é com vontade e contra a vontade sempre lida. Mas a lente quase nunca alcança a dor. Não tenho intenção de ser covarde, embora eu seja covarde, embora eu não seja covarde. Eu não preciso explicar, só sinto vontade de ser compreendido. Se eu não amar é porque já deveria ter partido. Porem, a mãe diz que é para amar e ela não quer me levar. Eu não durmo, eu não como, eu amo, eu não amo. Às vezes espero a Voz do Brasil terminar para chegar em casa e ligar o rádio, às vezes chego em casa e ligo o rádio para terminar com A Voz do Brasil. Eu amo o que não tenho e tenho medo do que tenho. Eu me alimento da luz do sol e da chuva. É fácil carregar o castigo. Difícil é saber o que não é pecado. Se eu fosse um pecado não teria nascido. O que há sobre minhas costas, então?

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Como se fosse a primeira vez





Ah! ouvi outro e resignei-me nos seus domínios:
Fui jurado para morrer de amor!
Passei a longevidade da solidão remoendo a infidelidade.
Claro que nao cheguei a conclusao alguma.
Meu coração é muito pequeno,
Não suportou o infinito do amor, embora ele seja particular.
Celular, automóvel, banco, festas, cartão do dia dos namorados,
Eu menti pra mim.
Por que é preciso palpitar o peito e temer as diferenças?
A vida é teimosa, não pára de passar a mão em mim.
Irei esbofeteá-la e contar pros diários que matei e morri por amor.
O remédio para o sofrimeto é sofrer a dor do novo amor.
Será que se eu perdesse a memória todos os dias e tivesse que recomeçar as histórias no dia seguinte, como se fosse a primeira vez, a vida deixaria de passar a mão em mim?

Tudo que tenho a dar saõ minhas palavras.