
Vim exorcisar.
A escrita, ela mesma é meu interlocutor, o único aliás que me deixa livre de julgamentos. Não que ela substitua seus lábios, mas se não posso senti-los, o que fazer com as horas?
É chão, chuva, prisão. Acordar para o descontentamento.
Depois de dar uma bordoada no amor fiquei com a cabeça partida. Uma avalanche de sensações desanimadoras. Se ao menos o telefone tocasse, eu sentiria vontade. Talvez levantasse das profundezas do raciocínio que não se completa.

O sono não vem e o apetite é desobediente. O cigarro já nao tem mais sabor. O tesão evapora. O coração é preto e só bate de ansiedade. Respirar? não sei do que se trata. Cerrar os olhos está impregnado no semblante. Chorar? se resolvesse... ou só se resolvesse.
Dos mandamentos do amor, dizem que temos que ir a luta mesmo quando não há resposta. Será que vale a pena ficar nu se o amor insiste andar vestido?
Gostaria de ser direto, mas não vou escrever uma peça onde apenas eu atuo. Não é um monólogo e meu coração não pode ser o único agente que deixa a vida - dos outros- de cabeça para baixo. Por maior que seja a dor e independente da impressão, eu sei que minha missão é apresentar-lhe uma nova realidade. A minha inquietação é que nao compartilho de reciprocidade. Eu também alimento ilusões e fantasias - que nao tenho certeza se são só ilusões e fantasias - que precisam de sua contestação. Eu também quero viver um mundo novo.
Sei também que nao posso esperar que invadam minha alma por terem-na compreendido, ou pela simplicidade do amar. Não sei se a ação do tempo mudará o amor em mim. Se houver tempo. Sei que fugir é um desperdício. Por que promovemos esse desperdício?
Eu me desconsertei, eu desperdicei.

Fui possuído pelos demonios capitais e não permiti que minha alma angelical falasse de mim em primeiro plano. Fui condenado por minha maneira de ser.
O caminho da felicidade é extenso e tortuoso e recomecei minha peregrinação. A vida é para quem espera pelo amor desesperadamente.
Sou bom e mau. Sou bem bom e mal mau.