sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Galega


















Primeiro o que não conheço
Vem devagar, mas nunca esqueço
Que ela deliu a superfície da ferida
Pariu a dor
Subiu até o altar da lamúria
E lá invocou

Amor
Despiu-se do lamento
Revirou as fotografias
Sonhou que sonhava o que nunca sonhou
Amanheceu vestida de loiro
Impregnada de mistério

Tratou logo de compor uma cantiga
Pintou as notas de amarelo
E saiu costurando a melodia
Uma dicotomia
Sobriedade e devaneio
Graves e agudos discretos

Rima
E a dor, e a dor
E a alegria, e a alegria
Por onde anda o rapaz sagaz
Por que está e não é
O luar dourado da noite fugaz

Incandescente e com sabor delicado
Chorou mil vezes quando o Sol estava apagado
E se banhou de renúncia ao desagrado
Correu para bem perto do alvorecer
Respirou o final da aurora
Até inebriar-se de candura

Caiu de amor por si
Passou a invadir o espaço
Agora não dispensa nenhum compasso
Observa o vai-e-vem do bem-querer
Tão normal, tão fatal
Perfumada de nudez nupcial

Iluminista
Dançarina
Espera
Consoante
Crê
Faz

A penumbra do crepúsculo
Escorre pelo consistório
É lá onde ela augura
Antes de ir fechar a cortina
E guarda sozinha o segredo
Um


Williams Vicente
Para Patrícia Leite, 12 de agosto de 2011

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