sábado, 28 de abril de 2007

Esse nosso estranho amor

Samuel houvera construído uma barreira de desejos do tamanho dele. Uma montanha de embrutecimento devoradora, amiúde e transponível. Bastava o que e quando ele julgasse necessário para rompê-la. Samuel, porém, não sabia o que e quando era certo. Dos estilhaços, sobrara vida nova. Ele cria.

De amor, ou do que ele esperava que fosse o amor sobreviveu.

Júlia era um dos fluídos de Samuel. Um amor latente, desprotegido, guardado na caixa do desconhecido. Nesta, Samuel, ruborizado, costumava depositar esperanças. Júlia, impiedosa, não continha o dom de dividir Samuel em pedaços. Na caixa do amor conviviam, obviamente, as dores e as alegrias: havia a carência-suprida-agora para onde fluía o amor imediato.

A menina de perfume doce que afasta a saudade alegre, que cobre de verniz os amores impossuídos, reparte-se em alma de muitas amantes. Ela despertava o medo, acendia a sandice.
Nas matinês, ocupadas pela mulher amante de face mil, a luz emanava da mãe dos que brigam na arena da liberdade, a bela que criou asas, fugiu do paraíso e pariu filhos batizados de demônios. À deusa pagã, Samuel se dirigia durante a aurora:

== Os sentidos indicam que é preciso ser profissional com as emoções. Quero que honestidade seja suficiente para ver o mar ao nascer do sol. Mas sei, antes, regras de jogo serão absorvidas e eu terei que aplicar xeque-mate. Dizem que os que realizam, embora sofregamente, o que gostam estão mais próximos do sucesso. Hoje consumimos substantivos próprios e gravamos nomes sem conteúdo.

Na inquieta manhã, Júlia silenciava. A mente da musa escondia as respostas que as estações protegem da ansiedade.

Quando se dispunha a levantar, Samuel era fisgado pela luxúria. O frio aguçava as intenções de um coração voluptuoso. Mas os beijos malogravam. A ternura se dispersava no abismo da falta de compromisso. Samuel dedicava retóricas egocêntricas, carregadas de intensidade.

== Tenho sensações conflituosas. Não vejo-me purificando os pecados num purgatório dantesco por causa da lascívia e sequer posso dizer-te da profundidade de minha dúvida. Prezo pelo poder dessa liberdade, porém confesso que o charme, não raro, sufoca e abandona os objetivos agonizantes. Em troca das palavras, deixo-te sentir ora a aderência, ora a repulsa de meu corpo. Os devaneios reprimidos e desnudos carimbam-nos de maturidade, receio, tesão. Sua alma precisa entender que meu espírito é par de muitos. Permita-me ejacular sem culpa.

Júlia não temia histórias nunca escritas e aceitava o amor descabido porque notívaga como era, reproduzia-o. Seu cheiro de erva revelava que amor não tem tempo nem domínio.
== Sua agonia é filha de sua preguiça Samuel – dizia Júlia. É incompreensível como podes carregar tamanho desequilíbrio. Tu precisas remediar, porque sei que existe um ponto de entrada em teus beijos flamíferos. Ah! Essa imensidão vazia que te enclausura. Estes teus olhos caídos que clamam por mim seriam erguidos se tu assumisses a luz retumbante de tua alma.

== Se eu pudesse entender, não hesitaria. A masturbação que ocupa minhas mãos agora impede-me de sair e pensar. Os sonhos so me chegam pela manhã e são arrebatadores. Desperto com o coração pulsante, fugindo pelas costelas. Ele dispara os devaneios impertinentes da madrugada, imagens de tormento, palavras que não alcanço, assim como não compreendo meu raciocínio. Eu não sei sobre o que descrevo. Porém independente da clareza ou incoerência dos meus prantos, o alívio acaricia-me quando posso confessar-me. Ditas ou escritas, minhas palavras quando chegam a tua consciência levam com elas meus tormentos e abandonam-me nu. Sinto-me feliz e livre ao repudiar meus pensamentos. Antes de teu veredicto, creia que assim meu coração esvazia-se para amanhecer carregado de declarações de amor por ti.

Julia apavorou-se impressionada com tamanho coração ardil. Para ela, o amor de Samuel transcendia a natureza deles. E continuou.

== Tua sorte Samuel está no teu coração sereno. A vida não deixar-te-á sozinho porque não temes dividir a dor

==Decerto, menina minha, não precisas sofrer o castigo vertiginoso de beber da loucura minha. Por obra da natureza ofereço-te os desejos que possuo e é tudo que há de ser dado como recompensa. Não posso pedir-te ou dar-te mais do que a vida fez-me.

Depois de mira-lo o quanto quis, Júlia franziu a testa e disparou inconformada:

== Eu sei que o sossego abra a porta para tua entrada quando tu satisfazes os teus desejos simples de compartilhar o desjejum à sombra de minha companhia e quando não tens dúvida que os votos cristãos estão assegurados por mim. Sinto tua esquizofrênica dor moradora desse mundo paralelo da (in) fidelidade que lutas para abandonar. Complexa parece, mas a equação do amor que emanas será solucionada se tu tiveres força para assumir que amas por demais. Creio que no teu peito vagueia meu sangue, embora atormente-me saber de teu corpo vagando pelo mundo. A quem pertence o fardo da decisão?

Conta a história que Samuel atarantado decidiu que não saberia responder e antes que o sono fosse embora novamente, resolveu largar o cigarro, guardar o espelho e deitar.

== Quiçá minha agonia tenha nascido hoje que exalamos cheiro. Amanha somos carne apodrecida sob a terra. Ainda não compreendo a dor e sequer a urgência divina.

E continuava em pensamentos que mais pareciam disparates. Decerto, não sentia a extremidade das decisões que tomava. Cortar o cabelo, por exemplo, era o experimento direto do efeito do tempo sobre a forma da atuação. Samuel depois de ficar careca, começava assim:


== não havia me dado conta dos riscos que corria. Eu queria mais. Era o vazio de atuar. Percebi, no instante apenas, que ela me veria antes e depois das cenas: a lua me levou ate as outras e as horas me abduziram para outro plano. Vi tudo, nada, além e aquém. Aqueles copos e aquelas latas quentes e geladas, não esquecendo dos cigarros, deixaram-me transtornadamente bem. Demasiado torpe, dominado e dominando poluições prodigiosas, ordenei os acessos de popularidade, traguei os surtos de vaidade e dancei sob um sereno de beijos.

Samuel em tempo recente decidiu aderir ao que faltava-lhe a escrita. Acatou de um amigo a descrição da angustia que fulminava-o. No auge da segunda adolescência, ele compreendeu que não morrerá por isso, talvez de cirrose, mas não de amor.

desperdicio


07/11/2006 00:52:09
Pela razão, nao vou desperdiçar meu amor para quem nao me quer, ainda assim, duelo. E quando a gente vai e volta é que percebe que muito ou pouco nada valem. É preciso apreciar os detalhes, de tudo, inclusive do amor. Suspiro constrangido, receio aos olhos. o dia tem sido frio e a noite densa. a tensao veio sempre e veio depois. sinto a perda pela vizinhança. resignação: nao amo sozinho, vejo do outro lado da rua que estremece. pare para respirar. Narciso insiste em dormir, mas nao me faz companhia. Sinto ansiedade pelo retorno, pela falta, pelo amor. o tripe apoia a angustia. o triangulo é tocado pela saudade que canta as desilusões do coração e da vida. há horas que deixo de existir. será que meu destino é querer mais do que posso ter e ser?Melhor assim. Ainda que o seja, se não o fosse, teria nascido carangueijo! mas o tempo nao anda pra tras. Vinho doce amargurado, paz, paciência, persistência... só o amor me leva para a berlinda.Ele que me justifica e mata, renasce, trasncende a justiça, devolve-me a mim.

remediado


18/08/2006 12:14:56
Se o que não tem remédio remediado está,

permaneço convalescendo, assim, no gerundio, sentindo sempre.

A saudade não dá trégua.

Vivo eternamente do tormento de todas as horas.

Precisaria barrar o ar e acordar com amnésia.

AGOSTO, O MES DO DESGOSTO, PREPAREM-SE, DEIXAREI A GOSTO DE DEUS.

PENSEI NÃO IR A FESTA

PENSAM QUE É SO INFERNO ASTRAL

PENSO QUE É O INICIO DO NOVO DE NOVO

CERTO AGORA

DUVIDO DAQUI A POUCO

AMO SEMPRE

olho

10/07/2006 01:18:34
é como meu olho, de um lado, a azurra de outro, e no fundo, o tom da melancolia, que espero se torne apenas meu filho mais romantico, e assim o bom dia sai com halito de saudade e me afogo nos ares da dor do amor. amanha continua... mas o meu prazer está em lhe transformar num amor imprevisível as vezes parece ser muito frio. é apenas defesa. é preciso encarar o mundo. no fundo é puro romantismo e medo de se apaixonar. tem receio de amar. é sinal da decencia. eu perdi essa decência, e depois de ter perdido um amor, descobri que tenho que resgatar a decencia/inocencia. como diria clarice lispector, eu quero sim uma verdade inventada. depois será entendido que os principios e as crenças que nos apropriamos para suportar a vida, ou dar sentido a ela, sao inventadas, so que a natureza é mais crua que nossas ideias. ando meio ferido, e por isso, tudo me faz pensar e sentir e . o amor doi justamente porque revela os pontos fracos. ele não vai voltar

praticando o amor

28/06/2006 23:51:26
e o amor... eu pratiquei na hora errada, além, eu achei que podia sentir a liberdade dentro do amor e nao podia. eu librianamente amarguei a doce indecisao do ser. ha liberdade no amor, mas eu somente depois entendi que nessa terra eu me redimi da verdade. e a verdade é que o tempo vale o tempo do amor, que com a terra nasce de novo. eu so teria uma chance. eu vejo o futuro e vejo o passado presente. é blasfêmico. amor e destino. a vida me levará até ele

clarice


29/05/2006 12:14:54
Estava lendo "A Paixão Segundo G.H." , de Clarice Lispector, quando parei para lavar a louça, acredite, dar forma a desordem, e fui ate a pia de lavar roupa para pegar sabão. Lá,de súbito fui tomado pelo susto, uma lagartixa, branca quase transparente, morta, afogada nas aguas da chuva. " Não compreendo o que vi. E nem mesmo sei o que vi, já que meus olhos terminaram não se diferenciando da coisa vista. Só por um inesperado tremor de linhas, só por uma anomalia na continuidade ininterrupta de minha civilização, é que por um átimo experimentei a vivificadora morte. A fina morte que me fez manusear o proibido tecido da vida...eu sou a barata, sou minha perna, sou meus cabelos, sou o trecho de luz mais branca no reboco da parede - sou cada pedaço infernal de mim - a vida em mim é tao insistente que se me partirem, como a uma lagartixa, os pedaços continuarão estremecendo e se mexendo...de nascer ate morrer é o que eu me chamo de 'humano', e nunca propriamente morrerei." Para acrescentar ao perfil: “de morrer, sim, eu sabia, pois morrer é o futuro e é imaginável, e de imaginar eu sempre tivera tempo. Mas o instante, o instante este – a atualidade – isto não é imaginável...” sei apenas que a atualidade é desagradável. A urgência do tempo, do viver hoje, me é dada não como uma natural perspectiva de morte, suave, não é burguesa, que tem tempo de beber do Nada da água que alimenta a alma – apesar da parcimoniosa quantidade de alcoólatras do amor nesse caso – e também apesar da imundície dos mal entendidos, não tenho tempo para apreciações. E PENSEI QUE , NO FUNDO, EU NÃO ENTENDIA O AMOR, MAS DESCOBRI QUE O AMOR TAMBÉM NÃO ME ENTENDIA. A sensação é equivocada – a vida corre o risco de ser quase sempre um equivoco. Não, há ainda a alegria, ela é precisa, atemporal. Mas ate lá continuo sem ter tempo para a vaidade do ciúme. Recorrer hoje à vaidade é nutrir ate. E antes que se pense a vaidade como diabólica, lembre-se que ela é descendente da matéria de que é feito o amor. A sensação é de arraso, o arraso da dor da surra no pau de sebo da propriedade. É preciso muita sombra e água fresca, ainda que a custo, para matar a sede da paciência do tempo de tolerância. Amanha mais um dia para esperar nova e alvina alteração de perfil... “o sal de lagrimas nos teus olhos era meu amor por ti...ao meu beijo tua vida mais profundamente insípida me era dada, e beijar teu rosto era insosso e ocupado trabalho paciente de amor...”

traficante

15/05/2006 17:50:14
Se me disserem mais uma vez que preciso de dinheiro para amar, não quero mais o amor. Se me disserem mais uma vez que nao posso badalar, também não quero mais usar anel. Se o trabalho pesado vai sobrar pra mim, não quero mais morar, vou partir, vou morar no mar, no ar vou abraçar a liberdade e beijar a solidão. É um interior perdido na cidade, pais e filhos andam pelos cajueiros enquanto os ETs contaminam o interior da estrada sexo, coração, drogas, saudade. sou um traficante de almas.

espíritos


15/05/2006 17:42:31
Ah, meu espírito! alguém vai chutar a porta e me esfaquear aos gritos no mesmo instante,

um buraco de concreto quase transparente se abre e me suga para dentro de um limão preto que gira e giro e repito e repito

meus pensamentos repetem

o sono acena para o raciocinio lento cheio de batuque

meu coração vermelho continua a dançar ao som do vento

fim da viagem

não ha melhor opção

todas,no fundo,me farão infeliz

a graça da vida ja tenho

o jus nao

a cratera é infinita

o amor, em algum lugar eterno

estou sobre o limiar do desequilibrio, andando pelas nuvens à beira do abismo, minhas angustias, frustações e decepções vieram me assombrar esta noite,

a historia se repete sempre, e nada muda, vou perder o equilibrio e saltar para o buraco da reclusao.

cansei de respirar

mas preciso morrer beijando para levar a ultima lembrança do amor

Vt - catadora


15/05/2006 17:38:55

ESCALADA

MORADORES DE RUA LUTAM PELA SOBREVIVÊNCIA EM PLENO CENTRO DA CIDADE
CABEÇA

AS VÉSPERAS DO REVEILLON, ENQUANTO MUITA GENTE FESTEJA A CHEGADA DO ANO NOVO COM MESA FARTA, FAMÍLIAS INTEIRAS VIVEM NAS RUAS, A MARGEM DOS ESGOTOS. NOSSA EQUIPE FOI ATE O VIADUTO DO BALDO, NO CENTRO DA CIDADE, PARA CONHECER COMO É O DIA A DIA DE DONA MARIA DA CONCEIÇÃO, CATADORA DE LIXO

Off1 Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada. Para Maria da Conceição, o cancioneiro infantil é seguido ao pé da letra. Há três anos ela vive a margem dos benefícios públicos. Ex-moradora do passo da pátria, onde o antigo barraco foi levado pelas águas do potengi, Maria da Conceição divide a cama, num barraco erguido com papelão, nas imediações do viaduto do baldo, no centro da cidade, com cães e gatos. Aliás, como cães e gatos que vivem na rua, dona Maria não leva uma vida muito fácil. São três filhos, 14 netos e três sobrinhos, que vez por outra, precisam dos cuidados da mãe/avó coruja, que divide com eles o ganha pão retirado da venda de latinhas e lixo reciclável.
Sonora de Maria da conceição de oliveira – catadora, falando das dificuldades

Off2 Quando não recebe doações de desconhecidos, Maria retira água do canal que passa ao lado e cozinha o que tiver no dia, num fogão improvisado. No cardápio? Geralmente pão seco, que fica ali mesmo exposto no chão.
Sonora de Maria falando sobre a comida

Off3 Apesar da fome, do frio quando chove, ou dos mosquitos que causam insônia durante a noite, Maria ainda reúne forças e tem esperança que o novo ano seja mais feliz
Sonora de Maria sobre o que espera do ano novo

virgem de novo


15/05/2006 17:34:09
COMO UMA VIRGEM, QUEBREI O HÍMEM DA INCERTEZA. TOCADO PELA PRIMEIRA VEZ, FIQUEI APAIXONADO POR MIM. A BELEZA, USÁ-LA COM UMA DOSE DE SACRIFÍCIO É IMORAL E FLAGELANTE. E ASSIM DOMO O PARADOXO DO PARENTESCO DO SUPERFICIAL COM O NECESSÁRIO. É UMA QUESTÃO DE ACESSO E TAMBÉM UMA QUESTÃO DE CULTO E SAÚDE E POR FIM, UMA QUESTÃO DE LIBERDADE. ADERIR A MASCULINIDADE OU A FIMILILIDADE TAMBÉM É UMA QUESTÃO DE TEMPO. NO PARTO DA MATURIDADE A PAIXÃO PELA VAIDADE.

a vida corre atras


08/05/2006 18:31:05
Andei fugindo, Na verdade faz um ano que a vida corre atrás de mim

e o medo da pancada me fez brincar de esconde-esconde. Mas sai vagando pela noite e encontrei bruxos, Gente que não faz sexo, mas trepa com a alma. Existem pessoas que juramos ser heteros, caretas e fieis. E na verdade são felizes. olhei e pensei que estava numa festa burguesa e era um bom filme de Almodóvar. a personagem do auto exala leveza nas palavras, o texto das personalidades quando bem articulados são encantadores e reveladores. ainda estou em processo de aprendizagem, aprender a brincar de poliana nao me agrada muito, mas algumas lições servem para acalmar a alma, e na medida do possível, tento viver devagar.

ju, uma garota precoce, uma mulher experiente, me contou que o processo é lento e numa sociedade como a nossa, é pior porque somos julgados por tudo, por cada palavra, cada gesto e, com o tempo, percebemos que o julgamento é unico e somos nós que fazemos. o melhor é definirmos o queremos da e para a vida. o que faz feliz, independente do pré-conceito. ainda bebo de uma fase conturbada. ainda me sinto muito menino e fico surpreso quando encaro as coisas de gente grande. todos nós já beijamos, já amamos, já quisemos nos matar, já bebemos ate cair, já perdemos o emprego e, na verdade, continuamos com medo a todo instante. mas quando cheguei em casa, chorei. não queria mais dormir com o inimigo. deixei o vazio para trás descobri que estava apaixonado, bati a porta do amor e resolvi pedi-lo em namoro. pulei de pára-quedas mais uma vez, mas estou flutuando e devo aterrizar sem arranhões. porque pode ser que eu tenha sido padre noutra vida. os padres da Idade Media eram umas putas e agora resolvi ser freira

neologismo


08/05/2006 18:27:50
DURANTE O BANHO ENTORPECIDO E FORNICADO UMA PAUSA DE INFINITOS COMPASSOS PARA O PAPIRO: MINHA TRAÇÃO PELO CAFUÇUSISMO É PURAMENTE FÍSICA, VOLUPTUOSAMENTE CARNAL.

MINHA TARA NA BURGUESIA, ALÉM DE NARCISISTA À INERENCIA DA PELE É EUFEMÍSTICA, PORTANTO, PSICOLOGICA TAMBÉM .

QUEM SERÁ MAIs EXCITANTE? GOZO MAIS RÁPIDO COM A PRIMEIRA, MAS SABOREIO MAIS A SEGUNDA, NA DÚVIDA, NOS IDOS DA INFANCIA, FICO COM AS DUAS.

AMO E ME COMPLEMENTO COM A DUALIDADE

QUE FASCINANTE É A NATUREZA

A GENTE NASCE, PERMANECE FETO PELO CORDAO E AINDA É PRECISO DESENTUPIR O PULMAO PARA CORRER PARA PEITO ATRAS DO LEITE.

COMO DIZ A CANÇAO, NÓS GATOS JA NASCEMOS POBRES MAS NASCEMOS LIVRES... NASCI AS 8H DA MANHA DE UM DOMINGO

DE UM DOMINGO DE SETEMBRO, 30. TALVEZ POR ISSO, ADOR DO PARTO ME ACOMPANHE ATE HOJE AOs DOMINGOS

OU SERA QUE A CINA É REMEDIÁVEL? É SO A MAGIA DO DESCONHECIDO QUE AINDA NAO DEU A LUZ E QUANDO DER, NUM DOMINGO FESTEJAREI

frango

08/05/2006 18:26:34
A melhor maneira de sentir o sabor do frango, pelo menos a minha maneira, é assado! também pode ser frito ou frango grelhado. sem duvida, prefiro o frango assado, ou ate o frito. Me parece mais natural. Já o frango cozido,embora quando bem feito seja delicioso, perde o sabor diluido na agua. E tempero demais atrapalha o paladar. Por isso prefiro sentir o gosto cru do frango assado. Me aborreço coma beleza quase sempre, mas queria um amor desses de novela para ver junto o por do sol que encomendei ate a velhice, quando a gente vai sentir a delicia da carne que nasce e lembrar da única obra realmente valiosa que deixaremos para tras: GENTE!

carnes

08/05/2006 18:24:03
nao que alguém aquem dos padroes do simulacro ou seja, normal, natural nao tenha lá seus atributos lascivos, mas o corpo trabalhado, malhado, ou sarado como esta definida a boa carne pela massa sexualizante ,salta aos olhos. naturalemente a libido de sua propria carne é atraída para a boa carne e nesse mundo complicado é preciso muito jogo de cintura para articular com os de boa carne e compartilhar na sequencia. Esse desejo logo lhe levara para as academias. e só agora cai na real estou lá o antro do culto a saude, mais ao corpo,respira sexualidade. muita voluptuosidade está camuflada no ritual e no desejo de possuir a carne. carnes, o que elas indistintamente querem é degustar do que é gostoso e os desencanados vao saber separar o joio do trigo

escroto

08/05/2006 18:20:38
voce sabia o que é ser excroto? pensou em putaria? também é,mas se enganou. o equívoco, eu explico: ser excroto é fazer jus ou justiça na maior cara de pau. porque a sua ou a própria pele arde sempre mais é intrínseco ao instinto de sobrevivência. ser amado, lembrar à saudade, receber recados... será o amor para mim? aqui nao. mas vou de encontro a boca, ha um beijo preso na garganta, e me afogo nos suspiros de um orgasmo adolescente. malemolente, o sexo cabe na palma da minha mão e devoro e à espreita, o amor está de sentinela.

que confusao


08/05/2006 18:16:13
NAO ESTOU CONFUSO NEM TROCANDO A VIDA PELA MORTE

É APENAS A VONTADE DE NAO SER I M E N S A! DE PARIR, DE PARTIR DE DEIXAR O TEMPO PARA TRAS

DE CORRER PARA AS PROFUNDEZAS

ESTOU COM A CABEÇA INFLAMADA E O MAU HÁLITO DOS PALIATIVOS AGORA, ENCONTRE ALGUÉM PARA COMPRAR, NINAR E SUCUMBIR AOS DELEITES DA POSSE!!! PELO MENOS HOJE, DEITAREI SOBRE O SILÊNCIO DA NOITE E DORMIREI COM MEUS AMORES DE ALGODÃO DOCE

DE MANHÃ, REFIZ O CAMINHO

AS MESMAS RUAS,O MESMO TATO

OS OUTROS SENTIDOS E SENTI A AURORA DA SAUDADE

balela

07/04/2006 15:20:16
Parece que sempre tem sabor de balela, mas apesar de tudo estou muito bem aos vinte e seis. diga-me que sou o melhor e conto como consegui, ou conte-me como conseguiu que digo que você é o melhor. se tenho meus olhos, sinto o mundo no horizonte, se nao me fotografo, terei o sonho tão distente quanto a lua

engasgado

07/04/2006 15:17:03
E ontem me engasguei com a lagrima na ponta da língua ao ver cabeças brilhantes serem declamadas pelo tosco. o tosco alias esta ficando até cult/trash, uma diversão para ver e se distrair longe, claro, dos olhos graduados. um jornalismo míope no caso um desperdício! e a lua, a areia, o mar e a brisa me fizeram diferente. hoje por uma noite inteira namorei com a pureza da adolescência. sensação preciosa!

postos de trabalho

07/04/2006 15:15:00
alguns postos de trabalho ou algumas rotinas dele ou ainda o sistema gerente parecem tiradas de ou colocadas numa clássica novela maquiavélica de Silvio de Abreu. Aí a vida diz nao e sem querer ou perceber, mudo de vida. porque a confiança no talento, a ponto de ainda acreditar no sonho, de paz na cama, acolhe a alma enquanto nao durmo. e estar aberto a vida nova, amar de novo é possivel, mas nas noites originais de "holloween" a balada inteira vem perguntar pelo passado

convenientemente viril

07/04/2006 15:12:25
sair do conveniente ao nascer é o melhor que você pode ter na vida. voce nao deixa de ser uma pessoa e ainda tem a sorte de ser livre para experimentar a vida. nao é que nao existam convenientes que também tenham o prazer de experimentar a vida, mas estes, assim como os que ja nascem livres da conveniência, são poucos privilegiados. porque boa parte dos livres da conveniência, embora assim o sejam naturalmente, nao cairam na rede nem compartilham da incoveniência. E POR ISSO, AMBOS, CONVENIENTES E INCOVENIENTES, NESSE CASO, NAO SABEM O QUE É FAZER DA VIDA SEXO RESOLVIDAMENTE VIRIL E CONVENIENTE.

sem titulo

07/04/2006 15:09:00
carnaval passado desfilei com as pernas laçadas pelo amor
Agora, ano pagão
fUi a excessos de aniversários e apenas tive que levar os parabéns
ao contrário do passado ano cristão,
a classe média me exigia assistir em tela fina e ontem a noite eu podia ver em preto e branco apenas,
amanhã estarei nas telas finas num domingo sangrento de notas maiores
minha receita: tomates, verdes fritos, ou goiaba com sal
quando criança gostava muito de carrinhos, especialmente os eletrônicos, e hoje troco o onibus pela pajero, na carona
isso é conversa de homem, barba no banheiro, em que sentido dói menos? antes da saída noturna, dois goles de vodka no gargalo e um cigarro complementar no final da noite
a janela dançante alivia o reverso direto, viagem, trabalho impecável! os mortos ressucitaram atormentam a selva de pedras
a vida à vista pasme, estou sovado.

Febre


07/04/2006 15:07:15
Uma tarde febril foi o suficiente

a dor chateia mas é com ela que medimos a carência

vem a luz

e para aliviar a solidão o anestésico.

ah! dor dopada no meu lugar, mereço o paraíso

e no meu lugar,

Ferdinand: eu a enfeitiço e lhe conto sobre os caras que odeio

as garotas que odeio

as palavras que odeio

as roupas que odeio

praia

07/04/2006 14:59:56
Verde para o mar
andar pela areia me faz recordar porque vim
um beijo, um final de semana impudico
reticencias noturnas, entreguei-me para o deleite
molestei a lua
AH! noites levianas
É setembro
tensões precedem o verão
a primavera na virada do ano me delega as paixões
as paixões divididas por quatro pares e primos
os corações poluem meus sonhos e me permitem escolher
escolherei, não ou mudarei o segredo do cofre
existe ainda uma porta livre para os olhos, as palavras e a saliva
entre!

de leve

06/03/2006 10:15:08
leve, bem leve
que as ondas me levem a beira mar
a noite do desatino
roubei tuas impressoes da madrugada e transpus os beijos de uma noite perfeita
com eles purifiquei tua alma
estás feliz porque te joguei contra a história e desviei teu olhar para o imensurável
a continência do amor
os vícios imaculados
o frenesi do reencontro
os abraços intermináveis
não matamos a saudade

rotação

06/03/2006 10:14:04
COMEÇO O DIA ARRANHANDO OS VINIS
O RUÍDO CONFORTA
MAS JÁ SABIA QUE IRIA MERGULHAR NO TURBILHÃO DAS ANGÚSTIAS
ME PREPAREI PARA O POSTO E PARA O OPOSTO
SÓ NÃO ME DEI CONTA AINDA DA VIOLÊNCIA DA MARÉ
FUI TRAGADO PELAS ONDAS DA PAIXÃO E ESTOU PRESTES A MORRER AFOGADO
DO AMOR AINDA NAO ENTENDI
POR QUE SABEMOS QUE DOERÁ
MAS NÃO RESISTIMOS E ACEITAMOS AS ESTACAS NO CORAÇÃO
NÃO DEMORE PORQUE O TEMPO LEVA
EU DEVERIA CASAR COMIGO PARA NÃO TER QUE ESPERAR... MAS SE É INEVITÁVEL QUE MEU PEITO SANGRE
JÁ SEI TAMBÉM QUE QUANDO ESTANCAR COMEÇA TUDO OUTRA VEZ...

O MUNDO SABIA


07/04/2006 14:37:53
antes eu abria a porta

agora sento à mesa

acorde homem morto

U2 para lavar a alma

anfetamina para purificar os hormônios

amigos, cevada, luz, vida

desejo paralizar a natureza

a libido leva à escuridão e se dissolve na areia

nas águas da enfermidade o amor foi vaporizado

miopia, egoísmo

o gosto da noite me mantem vivo

chorei e sorri sozinho

fraquejei

o vento leva às cinzas

a vida muda diariamente

meus sonhos mudam todo dia

aberto para balanço


06/03/2006 10:12:46
FECHANDO PÁGINAS PARA FUGIR DA REJEIÇÃO

FECHANDO PORTAS PARA NAO ENTRAR O SOFRIMENTO

FECHEI O PEITO PARA NAO ABRIR A VIDA

A INTIMIDADE MERECE SER CONSUMIDA E QUERIA CONSUMIR SEU CORAÇÃO

ANDO CATAROLANDO TEUS BEIJOS

AH SE EU PUDESSE DEIXAR TEUS PENSAMENTOS ROUBAREM OS MEUS

CANTAR QUASE SEMPRE ME FAZ VIVER

RECORDO UMA OUTRA AVENTURA QUALQUER

E ME CONTRAIO COM A VONTADE DE TE VER

CANSADO PARA RESPIRAR O AMOR

DEIXO COMO SEMPRE QUE O INEVITAVEL ME LEVE E ME PREPARO PARA O DESENCANTO

NAO PENSO, NAO FAÇO, NAO LEVO... QUER?

choveu


06/03/2006 10:07:06
E TUA PELE ESQUECEU O CHEIRO EM MEU PESCOÇO E A AGUA FRIA DA NOITE CHUVOSA NAO APAGOU A CHAMA DA SAUDADE

PORQUE ERA PRECISO AMANHECER PROTEGIDO PELO AFAGO

É ETERNO VIVER O INSTANTE DA INCERTEZA

E AINDA SEI QUE QUANDO ESCREVO

TU LÊS MINHAS POESIAS ANTIGAS

BOAS E TRÁGICAS COMO A TRAGÉDIA DOS BEIJOS QUE ENTORPECEM E CONFUNDEM DAR-TE-EI O QUE TENHO E QUE ME RESTA

MEUS BRAÇOS PARA ACALMAR TEU SANGUE

A MURALHA HORIZONTAL ESTÁ RUÍDA E ABRE CAMINHO OUTRA VEZ

diminuto


06/03/2006 10:04:36
Diminutivos pra cá, apelidos carinhosos pra lá.

Previna-se, não adianta ter boa vontade. É preciso entrar no jogo se você quiser sobreviver. A vaidade, a vontade de aparecer das cabeças alienadas sempre falam mais alto do que a ética ou o bom senso. Todo mundo quer ser artista. Portanto, saiba que você vai aprender a lidar com a vaidade alheia. Lidar com as panelas, lidar com gente que você sabe que não é melhor que você, mas está sempre por cima, pelos conclaves sociais, pela proteção do status quo. Alienadas, elas entram num processo continuo de emburrecimento imperceptível para si mesmas. Uma espécie de cegueira das próprias limitações. E nós, vaidosos de verdade, modestos, bons de cama sem pudicícias para assumir que estamos além, permanecemos sob a tutela das falcatruas do simulacro e sob a guarda medonha e vergonhosa da burguesia, que esteriliza os que, ainda que medíocres, têm algum traço de lascívia e talento. A natureza – o bom , o belo ou o feio, o verossímil - não se compra. É parida! Elas, as alienadas ou alienantes, desfilam pelo fio tênue da misericórdia. Na passarela do superficial e do artificial: Hamlet acéfalo.

carne viva


06/03/2006 10:03:16
À luz da fumaça que tragavas retiro os lençóis da saudade e sigo pelas ruas da ausencia

cruzo com as indecencias do amor

os olhos nus se desesperam em tuas mãos, mas o cinismo do amor desperdiçado

a saliva do amor no simulacro

ah! como lamento a perfeição, a imaturidade melhor prescindir do equilíbrio, das pretensões polir a loucura,

as contradições o resultado: a liberdade dos encantos e desencantos da dor, da língua, das palpitações do conhecido e do desconhecido

por isso nao interessa a razão

sim abro feliz e com poder todas as portas da lascívia

o deleite da alma ao se esfregar em outra alma tem gosto de carne viva à vida

paciencia


06/03/2006 10:01:23
vem tudo

nao é tudo

nao sei o que fazer com esses dias e essas noites que respiro

sob as ondas o ar é tranquilo

sobre o azul dos olhos o é rarefeito e a tristeza é obvia

nasci do amor para a carne e da carne para o pecado e nao pequei

mas pago a conta que nao fiz

o salvador nao chegou ate aqui

vim para segurar a mão mas onde está o quarto, a casa, a comida, o carro, a carteira?

bebo vinho em taça cheia de amargura

antes, degusto da carne branca da dependencia diariamente e a esperança sai com os dejetos diariamente para lavar as mãos: paciencia

sexta-feira, 27 de abril de 2007

a boa


Que gosto tem a cachaça?
Uma Pitu com laranja me lembra uma passagem.
Pensava que meu primeiro gole com uma bebida havia sido num batizado familiar.
Imagino dez anos de certa inocência.
Fui permitido experimentar a cerveja,
Por isso ate hoje prefiro antarctica.
A verdade é que foi a primeira dose consciente.
Guardo ainda a lembrança do que deveria ser tutor,
Bêbado de punho laminado em riste e um corte na camisa que eu vestia.
E depois experimentei da cachaça.
Não gostei, claro. É um sabor muito esquisito.
E olhe que álcool acompanha um cigarro apagado no umbigo fraterno.
Nunca troquei uma palavra.
Sei que a hora passa e terei nada a dizer
A não ser o avesso do perdão.
É o ego.
À liberdade.
Ao amor.
Ao futuro.
Um gole.
Tim tim!
Eu e você já deveríamos saber que a vida é curta demais para temermos.
E sei.
Sou feliz por gostar da tristeza.
O dia que oficializamos não passa do plano terreno.
A alma está pura desde quando a brasa acendeu o amor

22 de julho 2006

Como uma virgem ( Feliz ano velho)


tenho adormecido e despertado com a companhia de palavras brilhantes. traiçoeiras e independentes como são se despedem antes do cafe da manha, quando ha. assim, como agora, o tempo repousa no eterno particular dos pensamentos. portanto, apenas nao é possivel rerverter angústia em realidade. os espiritos, desde um ano velho,vêm me falar quase todas as madrugadas do ano virgem,que a nudez pode sim ser castigada. sao os sonhos que viajam com a dúvida e pertubam. e sonhos como a angustia não são exibidos. sonhei com a Londres fraterna e platônica. parece-se com a montanha do purgatorio de Dante, sempre ingrime e ventilada pela esperança. a falta de ar substitui o despertador nesse veraneio.na ultima ceia, os deuses que habitam o cérebro rodaram as cenas dos próximos capitulos. episódios da antologia de mim que retratam o demasiado desdenhar do instante. amanha não existe.comida, bebida, amigos, sexo e amor,meus segredos sao de liquidificador.o equilibrio de minha alma é!a carne também é!milícias que me levaram à berlinda.o instinto dá ordem.não subjulgo, nem sublevo, e tenho dúvidas sobre o pecado.mas a razão se rebelou e o desejo anda gentil, cedendo o lugar à necessidade.vi caveiras inebriadas pelo frevo.são minhas veias embevecidas de amor e desamor.pontuo porque cada tentativa traz um roteiro.um longa metragem ensimesmado que levará a vida para contar uma história incontável.o ar, o fogo,os vinhos e eu. vazio!

flores


SE eu pudesse proporcionar o mesmo amor que voce tem hoje, seriamos outros, mas nao vamos viver essa falsa estoria de amor. seu mundo vai acabar. "Entao, quais flores que, a noite, enregeladas, emurchecem, e à luz do sol renascido alçam-se fortes na haste, como novas, assim se refaz meu ânimo caído. Um novo alento invadiu-me o coração e, eu disse em voz alta, firme e convicto:" o nascimento da letra não esconde.A palavra se reserva ao seu lugar e ao delaE flutua pela sala deserta e regado de um amor sobre-humano,cândico e autômato, o refino:pensamento puro que se refaz ao infinito.Desarmada está a alma lúcida e sóbriaQuando amamos ao nosso amor latente.Estou no tempo inevitável de sentir o caosA vida por dentroA dor é alienávelE vai afastar-me da tortura.Agora sim, isolo o desequilíbrio da realidadeA vida tem um tamanho que quase nao cabe em mimE assim dilatando venho as entranhas Para hospedar-me ao lado do amor, à vida.e deve haver uma chance e a hora certa para isto.

quem sou eu parte II


Imenso. Tão longo quanto a homeopatia das madrugadas. Eu me trato. Tu te tratas. Ele se trata ainda que submetido à abstinência dos Mutantes. Adepto do gerúndio: perdendo a força, entrando pelo ralo depressivo. Angústia dosada em gotas. O que faz mal também faz bem quando algemado à expectativa de alimentar a vida com o uníssono amor da carne e da alma. Mas a vida é homicida e adora assassinar a esperança com tiros de pré-conceitos. Pará além do amor antídoto, há a bifurcação: viver ou nao viver. E aquele manto da loucura retalhado pela tesoura do tempo desaparece como se nunca houvesse tecido. Lembrar-me-ei que amor é sobrando o que tenho apenas. Enquanto nao durmo, a beleza esvai-se em rugas e olheras. Concluo que as horas são inimigas, porém provedoras de espírito.

quem sou eu, parte I



Um arranjo produtivo de letras graficamente mais expressivas do que os dígrafos que voam rentes pelo espaço fonético do planeta oral. Assim, penso que o enredo das histórias dos humanos de carne e osso, mais carne do que osso, será sempre contado nas 1ª e 3ª pessoas do singular. À luz do foco Alma, as personagens Alegria, Sofrimento, Angústia, Fecilidade, Fortuna e Amor sao casadas entre si e convivem obedecendo às regras da Gramática da Lingua da Vida - e cometem incesto, claro. Mas quando o Homem é abençoado pela formosura convence quase sempre, ou sempre convence pelos olhos os olhos de quem não pôde decifrar as entrelinhas do foco. A dona da história mesmo é também a personagem de regência nominal das relações: o Amor ao conviver com os picos de irritação das outras personagens se enfeia. Se bem que, em certos parágrafos, roupa nova, um bom perfume, música e companhia apraz são objetos intransitivos que embelezam, aliviam e cerram os por vir insofridos raios do sol de verão e Eu, Tu e Eles ficamos belos. Porém há tantas sílabas tônicas nos diálogos do Amor quanto átonas nas sentenças dos figurantes derivados do polissêmico Sofrimento. Aqui não tem jeito, a Fortuna deforma a formosura do sujeito. A crônica da vida caminha para um desfecho que aponta para o futuro. O que o brio costura, a tesoura do tempo vai retalhando: o manto da loucura. PS.:A nota final da redação promete lograr para o desatino. Os profetas anunciam que acima da média.

mesmo triste eu estava feliz



Nós podemos confiar em e contar com quem?

O QUE? Sorrir dormindo depois do alívio, da paz e do amor

COMO? caindo do telhado

ONDE? sobre a cama da eternidade

QUANDO? Hoje sempre é dia

POR QUE? A felicidade reside no plano etéreo

eu aceito


06/03/2006 10:05:52
Eu aceito!

os beijos suados, ternos e eternos

o ardor do amor no peito

daqui uns anos fui feliz às vezes

Eu aceito copular a alma

Nao quero gastar a historia

Nao devo gastar o amor

So gastarei as moedas na mesa da vida

so tocarei em venus depois que os olhos estiverem vermelhos

restam os raios da madrugada ensolarada

restam as gotas de culpa

famigerado, autografo os labios da angustia

eu aceito guardar as lembranças

eu aceito!

rejeiçao

06/03/2006 09:57:08
e o amor foi como um filho rejeitado pelo pai que nao o aceita como ele é
e o filho se sentia protegido pelo amor e o amor se vingou com uma bala no peito
a vida vale a pena?
a vida faz vitimas e te transforma em vitima
chore e lamente se voce é ou se sente vitima
voce pode
é factual?
voce nao pode se algemar
é preciso se libertar da condição de vitima
mesmo que o seja ha que se agir ao contrario, pelo avesso de mentira, de verdade, de polianna moça
se nao passar, mate-se ou bata punheta, ou ainda encha a cara de cerveja

na janela


06/03/2006 09:54:34
e se hoje ou amanha eu atirasse de uma janela?

os gatos atiram e se atiram da janela

e se la embaixo estivesse eu mesmo?

os gatos correm e lambem o proprio rabo

vamos atirar

vamos nos matar

vamos lamber o proprio rabo

o mundo acaba e tudo fica resolvido

o vigor do amor


6/03/2006 09:45:04
Goste de festas, beba cerveja e alguém patrocinará a felicidade

Se o sujo mugir sobre o mal lavado, liquefaça-se, tome da lama e se retire feliz

Compre e consuma com os olhos de lince e confesse, diga onde é que dói:

Você gostaria de levar a vidinha de filhinho-da-puta-da-mamae-e-do-papai

O amor ao contrário do que se pensa que se pode

Não esta disponível na boutique da esquina

O que prevalece não é seu desejo de ter e ser o que não pode

Imaculada é sua vontade de liberdade, de anarquizar a natureza para fazer o que você é

E ver a ambivalência da vida a partir da podridão da alma

para a elevação do sublime amor

E vislumbrá-la com vigor, com o prazer de estar sobre fascismos mundanos

Seu equilíbrio se fortalece e se encontra nas contradições e paradoxos

Você está, embora prefira não ter o coração vazio

O vácuo não lhe atrai Porém, não quer apaziguá-lo de beijos malogrados

Você tentou seduzi-lo e anarquizá-lo

E talvez pelo receio de respeitar, ele preferiu beber da solidão a se embriagar de seu suor

Se ouvir um vagido degenerando a história

Se alimente da balela da arrogância e da prepotência, os paliativos da insegurança

E se lembre que é preciso assumir para remediar

Em meio a virulência do amor

Nada contra as armas de defesa e sim as mentiras dos ataques

Depois da guerra

Peça silêncio, faça uma prece sobre a cova da saudade e diante da cruz de indiferença que você plantou Sussurre para seu amor... E o rancor não vai vingar

Continua....

os caquinhos


06/03/2006 09:42:28
o regozijo de ver crescer o verde ludico

bucolica era a vida insipiente

para vinte e cinco anos perceber que o homem é abissal

que ha uma faceta real reprimida

que o ser humano nao fosse pelo estado civil

nao fosse pelo bom senso e em nome do bem estar

estaria sujeito a escatologia e a imundicie do corpo

e quem pode provar que o mundo nao seria melhor se pudessemos devorar a comida com as patas?

ao inves de sentar a mesa com metais de prata, vinho do porto e guardanapo fresco sobre o colo

o fleugmatico materialismo histórico deveria ceder dando lugar ao anarquismo do amor

porque beijar aos vinte e cinco é sublevar os hormonios

porque degustar aos vinte cinco é mais prazeroso

porque abraçar os amigos aos vinte e cinco é sublime

porque gozar aos vinte e cinco é um pecado vinte e cinco vezes mais intenso e febril

porque o amor aos vinte e cinco deveria ser impreterivel

o deleite e o consolo de narciso

a crise do existencialismo

deixa estar

além do que puder ser bom

é dia de sentir todo desprezo que houver nessa vida

porque cansei dos lamentos e o terror do vazio do ocio e o louvor das fisgadas do amor

e o tremor, o pulso, o impulso, o latejo, o lampejo e a cócega do falo a embriagar as pernas

meu coração ja se cansou da tempestade

"E PRA TERMINAR QUEM VAI COLAR OS TAIS CAQUINHOS DO VELHO (E DO NOVO) MUNDO"

o corpo


O corpo:

Por mais amor que o enlabarede

Permancerá um veículo.

O corpo é um convite

E, as vezes, rebuscamos o relevo

Parasita da sedução.

A vida requer também de pelejas libidinosas

E temo-las a cada aurora

E a cada lua onde o amor se esconde

Então, beijo o braçoonde repousa a força

E me beijo

o meio

24/02/2006 10:47:43
esqueço a dança das palavras
e sem mea-culpa venho falar de seu discurso denso,
verdadeiro porém made in e voce nem sabe que assim o é
porque se soubesse apagaria as formas, os efeitos e os defeitos
porque nao somos perfeitos e o amor, ou o que se pensa que é amor
deveria estar além da cultura
acima dos contos e que as fadas fossem transformadas, trazidas para a realidade
porque entre o idealizado e o factual
o que existe está no meio
sao os conflitos
e se erro por ocultar, mentir
e se me calo pelo medo de perder
voce fraqueja por nao suportar
por nao poder superar
o que vi é que o amor nao condiz com a rejeição
se o fosse estariamos sobre o etéreo
pela mata devastada
com a solidao aprendo a dizer adeus
é cedo mas é preciso aprendê-lo
se ha erro nao perdi sozinho
eu sustentaria os descompassos
voce se arrisca a namorar o arrependimento
pelo contrario nunca esqueceremos quem fomos
e com a cabeça de cima ou a de baixo
mais uma vez fico com o meio
o que ha dentro do coração

fidelidade

14/02/2006 17:07:38
porque a fidelidade é uma convenção social que poda e dissimula a realidade
e a realidade da natureza humana à luz é crua e despudorada
a sociedade que criou a tal fidelidade no minino, tinha interesses de dominação em sua criação porque as convenções sao engendradas nao raro para manipular e dominar. no fim a alienção, e como tudo mais que é gerado para alienar é porque transfere poder para alguem, embora as convenções sirvam também para organizar o celeuma da vida e das classes.
é preciso deixar espaço para a ingenuiddade do coração, para os desejos, para o outro, para a tentativa de equilibrio. porque a vida é uma permuta ,porque voce nao pode cobrar o que nao pode cumprir, mas como nao é facil se livrar das pudicícias e da possessividade ,de repente, ate pode-se cobrar sem cumprir, desde que nao se use a mascara do impossivel, da hipocrisia e da arrogancia

alma morta

10/02/2006 19:15:39
a alma esta morta
quando voce abre a porta e caminha para o mau gosto
a alma esta morta
sordida epifania de vida
olhe para a bela lua e veja que a alma esta morta
feche a janela por favor
esse vapor barato nao precisa entrar em meu quarto porque a alma esta morta
acenda um incenso para purificar o cheiro podre da alma que esta morta
quem sabe um dia as ruas se tornem de bom gosto
quem sabe amanha voce acorda e sua cama esteja cheia de vida
e sua alma nao esteja morta
poe a mao no meu peito
toque por dentro
molhe suas maos em minha lingua
sinta como ferve, como brilha essa alma que esta morta
comprometa minha frieza, alcance o estado emergente, dilacere o espirito emocional
estupida dor
o amor é masoquista, o amor talvez sequer exista, ainda mais quando a alma esta morta
embalos que sofisticam as sensações e desnorteiam as confissoes
era ou é especial? Estranho, eu!
ele corre e escorre enquanto minha alma permance morta
continuarei so como uma pedra e esperarei por voce lá
me ama e nunca nos separaremos
nos mais, seremos amigos intimos
o amor e minha alma morta
a vida é melhor morto ou morto é tranquila
porem de que vale a vida morto se possivel nao é se debruçar sobre a cama e tremer
seja de dor, lamuria ou do que voce esta pensando agora
SIM, QUERO GEMER DENtRO DE VOCÊ: VIDA!

despedida

08/02/2006 15:46:36
Me despeço da breve rotina
E pergunto onde ficam as pontas das estrelas que abrem as portas para a vida?
Pensei que a morte me comeria hoje
Desço os degraus das ruas do inferno diariamente
E queimo as vísceras com as chamas de meus desejos
Porque é preciso perder o pudor de ser gostoso
Porque é necessário alimentar a beleza da natureza que me é nata
Porque a matéria é um não-acontecimento
Porque o sangue escorre pelos bueiros
E se o fim é covardia ou heroísmo
Ou se a alma insiste em mandar algum recado
Peço benção a Epicuro
E vou penetrar e gozar n(a) vida
O consolo esta na gala que se expele
Esta na festa de gala, traje esporte fino de logo mais a noite
É a vida!
Uns amam, outros fazem de conta.
Outros sao tao mesquinhos que em busca do amor,
Ou da ilusão do amor respaldado pelos conceitos
Burgueses, alienados, playboys filhos da puta
Caem na promiscuidade secreta e posam de santos.
Porque o problema nao esta na promiscuidade
Cada um trepa/fode com quem quiser e quantas vezes quiser
A miséria esta em nao assumi-la
E tome isso como uma falsidade que serve para qualquer area da vida.
E vivam as gozadas!
E vivam as brincadeiras com as palavras
Para te dizer absolutamente nada

a capital

Derreto a vida
Derretendo as vísceras
Pela noite afora
Ou pelo dia adentro
Tanto faz
Os lençóis desse asfalto são amargos
Me dispo para derramar a saliva
Ácido repugnante a vida
Contraio minhas entradas
Porque nada na pista desliza
Porque os aparatos dos pés não sustentam
Pulsante, pregos que furam minha pele para escorrer o suor
Para drenar a inexistência
Chuva caia sobre mim para estancar o sangue
Que o sol interfira sobre as cicatrizes
O crepúsculo deixará o capital desnudo
A capital tirou a roupa e rasgou
Minha razao

Lápide

08/02/2006 15:40:26
Tenho alimentado o espirito de beleza.
absorvido o conforto abortado pela futilidade
no mais, é perda de tempo, me disseram...
e assim o dever ser
a beleza parida não se desgarra do cordão da atitude
assim como o coração jamais esconde as veias calejadas de paixão ou petrificadas de sofrimento
apenas sei, diria o filósofo, que nada sei
que procuro o equilíbrio para as neuroses por um lado,
coragem para enfrentar o simulacro e os dissimulados por outro,
ser dissimulado para andar de maõs dadas
romantico
puta
hoje o que será indelevel?
amor, sexo honesto ou a eternidade das gozadas efêmeras?
mas...o que será sexo honesto?
a relatividade de seus desejos
não devo é fugir da placenta do destino
se é que ele existe
melhor é segurar no meu pau
beijar, cheirar, sentir
ejacular
e dormir preso ao suor esperando seu bom dia
sem pudicicias nos bordeis da vida ou orando pela honestidade da carne
esqueço agora a beleza
nutro a alma com a alma
lacrimejo, latejo pelo amor
pelas pernas entrelaçadas
pela angustia de esperar
pela ânsia da saudade
pela roquidão em repetir que amo-te
aguardo! porém o que não se explica, vive-se
e deixo póstumas as conclusões

É isso?

transar?
é isso?
nascer e crescer é isso?
rezar, comungar, estudar é isso?
tocar o mundo com meus dedos insipientes é isso?
perder a crença, sentir-me livre, sem sentido é isso?
sovar os principios, hedonismo é isso?
antropologia, sociologia, capitalismo é isso?
ser o patrono do universo é isso?
para me debruçar sobre o vazio é isso?
andar de um lado para o outro, comer, dormir, sentir calafrios, medo, esperança, tesao é isso?
lamber a musica para dissimular as premissas, amar de mentira, fLagelar-me, inspirar-me, devaneios divididos entre o real e a matriz, os desejos, o otimismo e o pessimismo. o que deve ser verdadeiro?
quantas calorias sao consumidas e quantos cigarros sao tragados para se ver o desfecho?
é isso?
isso é a vida
é um nao-acontecimento.

sampa, 07/05/2003