sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Por um minuto

Jaz no caminho que me leva ao mar
A pele morena.
Piso no recanto
Me encanto com meu recato
Me furo
Nos espinhos da ferida do meu próprio amor.
Levei anos para descobri-la
E cobri-la de beijos
Olho, boca,
Eu beijo
Tudo preso em meu peito sangrento
Um minuto eterno de alento
Quase
Eu não tenho jeito
Sagrado permanece.

É uma dedicatória, secreta.
Williams Vicente, 30 de dezembro de 2011

Por um minuto

Jaz no caminho que me leva ao mar
A pele morena.
Piso no recanto
Me encanto com meu recato
Me furo
Nos espinhos da ferida do meu próprio amor.
Levei anos para descobri-la
E cobri-la de beijos
Olho, boca,
Eu beijo
Tudo preso em meu peito sangrento
Um minuto eterno de alento
Quase
Eu não tenho jeito
O que é sagrado permanece.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Azagaia

Majestosa seja tua sombra
Que ampara com um sorriso
E acalenta longe dos raios da solidão
Porque irradia, mas não queima
Segura com a alma a minha mão

A noite tem ceia
Fartura de espírito
Coração singelo
Cílios frenéticos
Franqueza e mistério

Roubo-lhe um pedaço de simplicidade
Escondo sob meu peito
E distribuo amor sem que tu saibas
Procuro frases pequenas
Porque tua vida já esta abotoada

Bebe do cálice messiânico
Perspícua embevecida
Às vezes rusguenta
Às vezes rutácea
Às vezes dulcícola

Em Terra é despojada
Do Outro lado amor latente
Secreta nuança
Eterna nubente
Nutriz da paz

Não que seja anjo
Sim azagaia do acordo
Na ponta da lança
A brancura da neve
Os acordes de inverno

Espiritista e estoica, porém
Os cabelos ondulados pelo vento
Deixam rastro de sensibilidade
Deseja e sucumbe
Aos serafins

Senilidade a flor da pele
A mente sempiterna alcança o tom
Tua fragrância é terrena e celeste
Jovial Maria,
Eis minha peroração

Para Marbenes Maria Maia, da série Meninas Veneno
Mossoró-RN, 24 de dezembro de 2011
Williams Vicente


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Retrato da poesia de trás pra frente


Retrato
Retrato o passado como se é
Duro como perfume de madeira açucarada
Duro sempre o tempo Quê
Aguardo a água fotografada
Fotografia é para paquerar
Capturar e paquerar o espírito das Pessoas
De corpo
De porco
E alma
Amada seja a saliência do pensamento
Descoberto de amor
Cobertor que afaga a maledicência
Inocência fala muito
Essência se incorpora
Lucidez também se namora
Quer pensa em saber de Quê
Para vai amar
Palavras maísculas são para Pessoas
Quem e Você, Têm e Paciência, Somos
somos Nós nos referindo ao nó do amor

Republicada

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Superego

     Um arranjo produtivo de letras graficamente mais expressivas do que os dígrafos que voam rentes pelo espaço fonético do planeta oral. Assim, penso que o enredo das histórias dos humanos de carne e osso, mais carne do que osso, será sempre contado nas 1ª e 3ª pessoas do singular. À luz do foco Alma, as personagens Alegria, Sofrimento, Angústia, Felicidade, Fortuna e Amor são casadas entre si e convivem obedecendo às regras da Gramática da Lingua da Vida - e cometem incesto, claro.
     Mas quando o Homem é abençoado pela formosura convence quase sempre, ou sempre convence pelos olhos os olhos de quem não pôde decifrar as entrelinhas do foco. A dona da história mesmo é também a personagem de regência nominal das relações: o Amor ao conviver com os picos de irritação das outras personagens se enfeia. Se bem que, em certos parágrafos, roupa nova, um bom perfume, música e companhia apraz são objetos intransitivos que embelezam, aliviam e cerram os por vir insofridos raios do sol de verão e Eu, Tu e Eles ficamos belos.
     Porém há tantas sílabas tônicas nos diálogos do Amor quanto átonas nas sentenças dos figurantes derivados do polissêmico Sofrimento. Aqui não tem jeito, a Fortuna deforma a formosura do sujeito. A crônica da vida caminha para um desfecho que aponta para o futuro. O que o brio costura, a tesoura do tempo vai retalhando: o manto da loucura. A nota final da redação promete lograr para o desatino. Os profetas anunciam que acima da média.
     Imenso.
     Tão longo quanto a homeopatia das madrugadas. Eu me trato. Tu te tratas. Ele se trata ainda que submetido à abstinência dos Mutantes. Adepto do gerúndio: perdendo a força, entrando pelo ralo depressivo. Angústia dosada em gotas. O que faz mal também faz bem quando algemado à expectativa de alimentar a vida com o uníssono amor da carne e da alma. Mas a vida é homicida e adora assassinar a esperança com tiros de pré-conceitos. Pará além do amor antídoto há a bifurcação: viver ou não viver.
     E aquele manto da loucura retalhado pela tesoura do tempo desaparece como se nunca houvesse tecido. Lembrar-me-ei que amor é sobrando o que tenho apenas. Enquanto não durmo, a beleza esvai-se em rugas e olheiras. Concluo que as horas são inimigas, porém provedoras de espírito.

Republicado. Original de abril de 2007

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Náiada


Clara e doce como mel que cai da nuvem
Branca tão vermelha
Corada aos compassos e descompassos
Porque a leveza do ser é tão transparente
E tão turva quanto o amor pode ser

Luminar espalha o vento
Para qualquer coração é alento
No Céu ou na Terra
Divina ou Profana
Diastólica

Amanhece clericata,
És comensal
Sem pedir licença
Ouço o romper de tuas artérias despetaladas
Vagarosa e circunspecta inspiração

Ruído ermo na ponta do peito
O clarim da clemência
A trilha sonífera da dor
Do caminho núbil
Até os fios cãs


Idílica
Enquanto você dorme, escrevo
E passo assim noites e dias
No seu posto de lenda
Dentro, a paixão

Sacristia saliente
Pudica ou impudica
Conheço tua alma lavada
Teu vagido
Menina rosa

Santificado e eterno teu nome seja
Tua pureza e tua malícia velejante
Teu astral vernal
Tua compaixão
Teu amor fatal

Ama-te
Pise e fique sem chão
Corra e Pare
Teu mistério é um privilégio
Náiada

Williams Vicente para Clarissa Paiva. Seja Feliz
Mossoró-RN, 11 de novembro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Melíflua acidez


Kiwi kantiano
Levemente ácida
A experiência crua interpretada
A consciência nua arrancada
Remove o mundo real

Arrastões empíricos da razão posterior
Uma canção arrebatadora a procura do amor
Surge leve
Inspiração intermitente
Ardente como o champanhe

Traga um sorriso sarcástico
Expele pétalas indeléveis
Vermelho, Azul
Parcas palavras
Tudo dito ao hiato


Rema
Repele
Renova
Revoga
Respeite



Interior e reza
Como orações silenciosas
Obra ideal ou concreta
Desperta para a satisfação
De ser, não ser, querer e flutuar


Nada é definitivo
De cheio, de longo, de futuro
Caminha de salto pelas pedras cristalinas
Tem brilho e maciez no caminho
O tapete será melífluo

Yin, yang
A dívida é dí-vida
Partícula infinitiva
As letras estão curtas como devem ser
A melopéia textual


Williams Vicente
Mossoró, 27 de outubro de 2011
Para Katriny Rêgo

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Os dias



A hora é da aurora
Au revoir ralé
Babylon me espera
Champanhe Ilusão borbulha
Sonhar só custa angústia
O resto é doce
Sem se preocupar com amanhã
Junto os pedaços
Por esses dias
Aqueles dias
Desejo não haver dias

sábado, 15 de outubro de 2011

Revolução Sinódica


A lunação samba em ritmo Minguante
Nasce à meia-noite e se põe ao meio-dia
Sua face iluminada é um grande Arco
A flecha dispara sempre em direção ao Astro-Rei
Mesmo que o Sol não esteja mais acima do horizonte

Nova, Crescente ou Cheia
Lá no Céu é onde está o Amor.
Tem a mesma intensidade de seu pisar na areia
Daquela praia
Daquele mar que nasce

A viagem é uma só
Mas do Céu para a Terra
O Amor também quer te ver
O amor dói quando vê
Imagina quando se esconde como a Lua

Carrega na mente o Duelo
No rosto a metade da Felicidade
No peito a Saudade
Sobe ladeiras no compasso do frevo
Abastece o coração 

Lapa Carioca Abrasiva
Buenos Aires Perfumada
Campina Grande de Buquês
Natal completa os Ciclos
Mossoró Início 

Arranca pedaços para lembrar
Anota no papel que tem
As flores tem que estar vivas
Para lembrar, para lembrar
O Papel que a alma tem 

Um labirinto
Não há como descrever numa linda frase
Dá para pontuar
É permitido amar
E cuidar
  
De Si
De Você
De Tu
De Ti
De Nós

Ilusão
Frio e Calor
Agora a paixão
Depois o pé no chão
Riso etéreo

A Lua é sempre diferente
Porque o Sol a ilumina todo dia
O fio cultivado
Precisa ter a força de um alicerce
Onde repouse a magia


Williams Vicente
15-10-11
Concluída às 3h24 AM
Para Ana Cláudia Barbalho, um amor.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Legenda


Garimpou a imagem e encontrou uma palavra
Escreveu na praia do futuro
Uma vista como se fosse paisagem do passado
A dor dormiu
Acordou e fez prece ao natural
Orou pela simplicidade, paciência, perdão e atenção

Lenda é a história que exala fantasia
Mistura caráter ou aparência
O que é o tempo?
Esperar o ponto de tocar na alma
É roteiro dividido
Conhece o fim e abandona 

Amor que vem do mar
Vem vindo, vem puro, vem vento
Percebe que soprar
Só é leve quando alento
A raiz
Sustenta o tormento

Úmido
Lúdico
Doce
Salgado
Brilho
Ardente

Calidoscópio
Capta a imensidão
Som, onda, calefação e frio
Porque a estampa é bordada de fino
Eterniza a proa da beleza
Olha um vislumbre quase tocando a voz

Ouviu?
O barulhinho do clique não deu para escutar
Já o peito serviu de tinteiro vermelho
Apreendendo a rabiscar a primeira palavra
Juntou as letras e viu que o final era:
Começo


Williams Vicente
11 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Galega


















Primeiro o que não conheço
Vem devagar, mas nunca esqueço
Que ela deliu a superfície da ferida
Pariu a dor
Subiu até o altar da lamúria
E lá invocou

Amor
Despiu-se do lamento
Revirou as fotografias
Sonhou que sonhava o que nunca sonhou
Amanheceu vestida de loiro
Impregnada de mistério

Tratou logo de compor uma cantiga
Pintou as notas de amarelo
E saiu costurando a melodia
Uma dicotomia
Sobriedade e devaneio
Graves e agudos discretos

Rima
E a dor, e a dor
E a alegria, e a alegria
Por onde anda o rapaz sagaz
Por que está e não é
O luar dourado da noite fugaz

Incandescente e com sabor delicado
Chorou mil vezes quando o Sol estava apagado
E se banhou de renúncia ao desagrado
Correu para bem perto do alvorecer
Respirou o final da aurora
Até inebriar-se de candura

Caiu de amor por si
Passou a invadir o espaço
Agora não dispensa nenhum compasso
Observa o vai-e-vem do bem-querer
Tão normal, tão fatal
Perfumada de nudez nupcial

Iluminista
Dançarina
Espera
Consoante
Crê
Faz

A penumbra do crepúsculo
Escorre pelo consistório
É lá onde ela augura
Antes de ir fechar a cortina
E guarda sozinha o segredo
Um


Williams Vicente
Para Patrícia Leite, 12 de agosto de 2011