sábado, 29 de dezembro de 2007

Há festa


Para quem gosta de escrever em papel, na pele, no ar

Virilidade de bem-querer mais que lançar

Pode crer que vitória para quando o amor é lutar

Gentílicos existem para toda forma

De amar o próprio peito

E estar só

E amar

Exibir os sentidos

Amoroso doce do passado

Certo de estar

Avisado ou desavisado

Convide sempre para os casamentos

sábado, 22 de dezembro de 2007

Retrato da poesia de trás pra frente

Retrato
Retrato o passado como se é
Duro como perfume de madeira açucarada
Duro sempre o tempo Quê
Aguardo a água fotografada
Fotografia é para paquerar
Capturar e paquerar o espírito das Pessoas
De corpo
De porco
E alma
Amada seja a saliência do pensamento
Descoberto de amor
Cobertor que afaga a maledicência
Inocência fala muito
Essência se incorpora
Lucidez também se namora
Quer pensa em saber de Quê
Para vai amar
Palavras maísculas são para Pessoas
Quem e Você, Têm e Paciência, Somos
somos Nós nos referindo ao nó do amor

sábado, 17 de novembro de 2007

Pré-pós: fichado em Hollywood


A hora

Para flertar a ausência do amor

É mossoroense apelar para a beleza

Navegar pelo rios atrás do futuro que me condena

Quero estar longe do som ruim

E me apaixonar pelas notas da existência

A pressa corrói quase sempre

O brio, a fumaça, a sede

De ser o amor nascente

Parece o crepúsculo à melancolia das paixões

É noite para encontrar espaço

De nada sentir

E amar a neblina inexistente

De amar mais

O que se permite

Pertubo-me

A novidade é pesada e emocionante

Endoida, mistura tudo

E fico sem vontade

A fim de me concentrar

domingo, 16 de setembro de 2007

Brecha

Foto: www.nonamedisco.com.br
Há cidades que são paraísos perdidos numa noite discotecada de feios e bonitos, homens e mulheres sentido prazer em estar vivos.
Outras, revelam-se atraves de brechas.
Uma brecha é toda permissão para se observar a sacanagem reprimida!
Aqui vivemos e aprendemos a respirar outros perfumes.
É preciso lidar com egos, receios, pecados capitais.
É preciso crescer.
Contestação tem limite.
E o limite particular vai até onde houver prazer. O meu prazer, o prazer.
O respeito e o freio para nao invandir as concepções alheias.
Trabalhemos para o bem do espírito.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Doce de leite


sei que nao sei que nao queria ser uma pessoa

eu nao queria ser

eu nao queria ser uma pessoa

que não queria ser

uma pessoa que nao musica a vida

nao queria ser

nao queria

ser uma pessoa

ser

nao

queria

nao queria uma pessoa

pessoa

nao queria

para musicar a vida

queria ser

ser uma pessoa

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Elementos

Amar é pecado, castigo e perdão
Extensão e estado exato
Da ternura pura
Da pura ternura dos pecados
Dos pecados,
Guardo a intimidade
Da imaturidade impiedosa
Do castigo,
Trago no peito as essências dos tremores
Do perdão,
Amo.













Amo o futuro pórtico
Desejos do proscênio, relâmpagos que mordem
Saudade indecente
Formosura celeste
Surrealidade que pinta um coração profano de sentimentos incontáveis
No trono meu repousa a mais bela das almas
Da maternidade do espírito.
Correrei sobre os mares para protegé-la da chuva
De águas santas que banham minha eternidade.
Os pés nas ruas abrem caminho para a liberdade
De amar

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Paraíso Tropical - Capítulo VII - Final


Não pontuo as histórias
O coração flutua
Sempre
Ah! vaidade que entorpece.
Pedestal sem calço
Olhares dissimulados
Meu amor,
recomendo-te:
Não ande ao contrário.
Sigo os ventos que me sopram no peito
Religiosamente, amando o que não conheço

terça-feira, 19 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo VI - Noiva em Fuga


Como dizer e o que dizer? Já dizia Chacrinha que quem não se comunica se trumbica. Eu diria que quem se comunica se trumbica também. A palavra escrita sempre me caiu melhor e sempre foi o modo mais eficaz de me fazer entender, de dar forma a um raciocínio sem tato ou que não se exprime por outra modalidade. E ainda assim, não será cabal, claro. Surge, portanto, o risco de causar antipatia. Como já causei e sei que continuarei a causar sempre que tentar exibir minha loucura, não me espantarei. O que é certo ou errado a essa altura eu não alcanço. Talvez seja por causa de minha tenra idade e as lições que a vida tem para aplicar em todos nós ainda não me foram ensinadas, todas. É um aliviar de minha espera. Estou aliviando, repare bem:
Beijar sem ser é nauseabundo por demais. De uns tempos pra cá, a idade andou beirando os 30. Então, naturalmente creio que nós passamos a gostar de fazer sexo com a cabeça de cima também. Vem daí a novidade, a atração pelo conjunto da obra. Isso sem complexos e vitimização de mim, esclareço. É uma questão de prática. Nessa jornada tenho passado por picos de pouca altura e neblinas. Muito mais neblinas. É uma novela. Eu sinto um aperreio de não gostar nem de me olhar. E? Não me resta mais paciência para ter que estar me apresentando, me justificando e liberando a tradicional verborragia dos que reclamam da vida ou tem fama que reclamam. Não sou uma pedra, mas preciso de silencio. Certas idéias que nao me competem revelar me corroem muito mais do que não ter. E tenho resistido para que a vida não me prostitua. É um pulsar angustiado todo santo ou diabólico dia, há alguns anos.
E ainda temos que provar a nós e a todos, o tempo todo, alta dosagem de honestidade. Cansamos.
Sou um pedaço de quê? Não desejo transformar o que é bom e a única coisa que realmente mantem qualquer pessoa viva – GOSTAR - em mais um sofrimento. Todo mundo carrega uma cruz, eu sei. Mas a minha já me deixou corcunda e mais uma pedrinha em cima e arrio.
Vez por outra tenho caminhado em direção de uma luz que aparece não sei de onde, e quando chego perto dela é um candeeiro. Tem sido assim também no amor. Embora seja ato divino jogar as mãos para o céu e agradecer se houver alguém que eu gostaria que!!! O futuro do pretérito nesse caso é motivo de alegria sim. Porem não há “vapor barato” que se aproxime de meu estado à flor da pele. É uma pequenez imensa a minha razão.
De vez em quando, divirto-me muito com meus olhos azuis. Escuto musica, converso e o tempo vai passando. Eu quero muito e não quero nada. Apenas estou a procura de um pouco de paz, em todos os apectos.
O amor deveria ser conquistado aos poucos e na medida da intimidade que se ganha. Porque temos que lutar contra nosso espírito perturbado, para ontem. Mas quanto antes nos apresentarmos, mais cedo estaremos livre do constrangimento de nós mesmos. Eu não creio no e quem vai sobrar dos tais caquinhos. Eu não espero por respostas. O meio é a mensagem e é a verdade que hoje jaz em mim.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo V - A última Lei

Díluvio na noite do Dia dos Namorados deixa cupidos ilhados no céu
Os anjos do amor não contavam com a noite chuvosa de ontem na capital. Se para o comércio o dia foi aquecido, para os cupidos restou protegerem-se do frio, apelando para Santo Antonio interceder sobre a crise nos aeroportos do amor
Fragmentos da noite...
Este amor é um cálculo que não estamos obrigados a resolver, embora a supremacia dele seja muito mais relevante. Tomar aulas de etiqueta da vida é a assertiva que os anjos escrivães têm mais prazer em registrar durante o bendito ditado de Seja o Que Deus Quiser. Como sempre.
É o amor que preserva. E preservamo-nos do pré-verso. Nosso coração de criança existe para manter afastada a solidão, mazela ademais trágica na vida. Como desconhecemos ou nos negamos a entender a força do amor, padecemos de aresias. Amor com toda dor que houver de prover é benção. Mas amor desamparado é suicídio.
Porém, existe saída para conter o avanço involuntário e uma possível vitória da morte em vida, a tal da solidão. Há lei soberana que rege a sociedade dos poetas: A crença. É o primeiro decreto datado do dia que deu à luz o mundo.
Decreto nº 01, de 12 de junho de 2007
Dá nova regulamentação ao Decreto-Lei nº 00, do ano da Criação, que dispõe sobre o exercício do amor, em decorrência das alterações introduzidas pela Lei anterior a vida.
Art. 1º - É livre, em qualquer território, o exercício do amor, aos que satisfizerem as condições estabelecidas neste Decreto.
Art. 2º - O amor compreende, privativamente, o exercício habitual e remunerado em lágrimas de qualquer das seguintes atividades:
I - Compreensão ou nao do amor.
II - Para além de Pollyana, não nos amedrontemos.
A vida é um caso de morfossintaxe, de sujeito e predicado, de partir a cabeça para entender e absorver a classe e as combinações da palavra amor. É ação. E é também unidade semântica e estilística. Amor é palavra carregada de certos conceitos que podem variar, de acordo com o contexto em que é empregada. Domestica os enunciados sob pena de não sermos.
É paradoxal, no entanto, que as figuras de linguagem que nos protegem de revelar, aprisionando os segredos nas metáforas e eufemismos, e, por isso mesmo, também possam ser portas abertas para ele. O amor é barato. Polissemia censurada. Até o último, o único suspiro, ainda que ideal platônico.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo IV - Preciso de Férias

A fisiologia se desloca perene
Sinto náuseas no peito
Assim,
Amo-te com meu coração nauseabundo.
Poderia levar a tarde a escrever
Não há mais palavras que o peso que me corcunda.
Eu não sou quem penso que sou,
Nem você.
Não compreendo meu corpo
Não reconheço meus olhos
Não aprendi a lidar com o poder.
Eu,
que sempre tive domínio de mim, até sobre o descontrole, dos outros,
E do que permito sentir.
Eu,
que não tenho talento para tirar proveito,
que não quero sentir o gosto de dinheiro,
que não quero ter meu gosto desfeito.
Não adormeço perdendo a fé no amor.
Eu,
tenho desejos incontáveis,
devo abrir o estômago,
vomitarei loucuras,
Convido para mim o fim.
Eu,
e os amores proibidos,
os pareceres dos divãs,
a linha tênue das relações,
Não estou para amar aos poucos.
Não me agrada discutir honestidade.
Eu ,
que não sei matar a mim,
ando matando o tempo,
ocultando as dores,
consagrando segredos,
orando por lágrimas que me aliviem,
E não consigo me aliviar de mim.

sábado, 2 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo III: Táis, Paula e Bebel

A vida é um folhetim, ou pelo menos assim, ela se torna torna suportável se conseguimos olhar de e por fora.
E devo admitir que acompanho o mimetismo.
Taís é uma comédia tesa;
Paula é louca: cheia de convicções;
e Bebel é a puta, prostituída pela vida, ama e é amada pelo cliente, sem admissões.
Ceticismo.
Estou repleto de convicções e ceticismos.
A vida não tem solução.
É um constante estar.
A felicidade só existe por instantes.
Eu posso confessar?
Quem além de mim é capaz de ser feliz com alguns minutos numa tarde de sol e chuva cobrindo a dor e as feridas Á Meia Voz?
É para lembrar, euforica e fantasiosamente, de todos os detalhes: do beijo, da cor, do gosto, do cheiro, do toque, do olho e das palavras.
É tudo instante passado.
É o coração apertado.
É não saber o que fazer.
É não saber no que acreditar.
Cair e levantar.
Sentir.
Dor.
Dúvida.
E viver.
Ando zen.
Zenoção.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo II: Preste atenção: sou uma pombajira numa bolha flutuante a espera de uma bala perdida



Se a neurose de existir já não me deixa dormir, numa madrugada de chuva não durmo também porque não quero mais. Eu gosto de apreciar o som, o cheiro e a verticalidade da água.

Enquanto isso, aproveito para fumar o último cigarro da madrugada. Antes do desespero, agora sei, que pelo menos assim, parte do paladar estará recuperado pela manhã, ou pela hora qualquer que despertar.

Enquanto espero, vou escrevendo em papel e sem cores. Porque se for reparar no vinho metal, o sono partirá para sempre. Há muito, aliás, e até a contragosto, a vida tem me obrigado a prestar pouca ou menos atenção no vinho metal. Digo a contragosto porque vinho, por natureza, é sedutor.

A matéria mais difícil é o amor. Que seja ou pareça cristão, surreal, impossível, mas não sei amar aos finais de semana, nem a deus-dará. Exercito o amor diariamente e não me satisfaço. Amor é para ver e ouvir de hora em hora. Amor é para dormir todas as noites.

No rádio, entre uma melodia desgraçada e outra, meu bem você me dá água na boca. Esse rio, ainda estou muito longe, ou sempre estarei, de atravessá-lo. Pode ser que, por um lado, o amor seja alienante: eu crio, eu vivo, eu me apego? Sei que tem sido questão verborrágica de sobrevivência. Do outro lado existe um mundo imenso, infinito, quase inatingível. Eu faço a viagem de Dante pelo inferno para chegar ao paraíso. Mas penso com que roupa atravessarei o caminho?

Resta-me ternura. Eu só tenho ternura. Ternura que me atrevo a achar que sei, quando, na verdade, roubo citações alheias de Freud para crer que ternura é sinônimo de amor. Ternura é a sublimação da energia. É estar. Pairado com rubor efusivo.

É, e existe ainda a picada da fidelidade. O que fazer com ela, como cobrar uma realidade inventada? Fundamental mesmo é ter saúde. Porque é preciso tê-la para suportar o nó do amor. Ah! vida nó cego. Amor é para rir. Porque imaginamos e esperamos transformá-lo em sangue do meu sangue. E quem vai acreditar nisso se minha cabeça é so minha?

A Terra é de Satanás, mas para não morrer de fome eu como feijão com arroz como se fosse um príncipe. E não me afobo não que nada deve ser pra já. Paralisia, contemplação do bem e do mal. Vejo pessoas ao meu lado chorar e pedir por amor. Eu choro pelo excesso e por não saber o que fazer com ele. Até que a morte nos separe e amém.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Paraíso tropical - capítulo I: A teoria atômica do amor (minha vida é uma novela)











Entre gemidos, suspiros, sussuros
E como pele macia que transcende ao toque,
O amor.
Recaído sobre nuvens brancas e negras
Meu coração estilhaça-se em partículas inquietas
De amor.
Alva pele e alma de olhos miudos banham-me com a brisa serena,
O Afago.
Ao fogo, o amor alivia-me a dor.
Sofro de amor pueril.
O amor tem sido nada
Além de poeira descansada sobre os contos,
No peito.
Meu peito é feito de lágrima sagrada
Construo vales e rabisco córregos
Por onde escorre sangue.
E meu sangue tanto ferve que é preto
Minhas veias são de amor tonto e tanto
Que se houvesse mais o que dizer
Não existiriam crepúsculo ou aurora
Tom e Vinicius
Nem eu e você.
Mas amor é só enfeite,
À mesa.
A mesa vazia,
Meu corpo nu,
Minha carne crua fragrante
Com cheiro de agonia.
Ao pó.
Sono sem tortura.

domingo, 20 de maio de 2007

Luau MTV 2004






A trancos e barrancos consegui
participar da cobertura do lual mtv 2004, onde pude acompanhar o inicio da ascensao da entao alternativa Pitty. Não gostava muito dela nao, hoje acho que a baiana deu uma melhorada no som e caminha, com abuso, para um bom futuro. Já Humberto, super tímido, sempre teve um som duvidoso. O cara é jóia, mas de fato Engenheiros ora soa agradavel, ora muito chato. enfim, nesse mundo mesqueinho do jornalismo, eu fico com o feito nas digitalizações acima.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Como cães, gatos, ratos e cavalos


Houve tempo que dormia ou despertava com um rato cheirando meu rosto do lado do nariz. Depois o rato enjoou do queijo coalho e partiu para ratoeiras onde o queijo era suíço. O rato ficou preso na pouco nova armadilha sem queijo, sem amor, mas já nao precisava mais andar pelos bueiros.








Daí imaginei que o cheiro do coração roído pelo rato fosse atrair um gato. O bichano apareceu. Felpudo, fofo, delicioso como todo gato é. Os gatos não precisam miar muito para que eu sirva leite. Só que o gato, que naturalmente tende a ficar na dele depois de saciado, percebeu que eu era um cachorro.






E foi-se. Deixou-me pelas madrugadas cozinhando lentilha, achando que era ração. Não era ração, nem havia mais o gato para servir.


















Eu tenho que mudar de vida porque bicho nao compra carro.






Na próxima vida virei um cavalo. Suntuoso, caríssimo, belo, onipotente, alado.








E ainda terei o privilégio de quebrar as costelas da Madonna.








terça-feira, 8 de maio de 2007

Besta-fera

Vim exorcisar.

A escrita, ela mesma é meu interlocutor, o único aliás que me deixa livre de julgamentos. Não que ela substitua seus lábios, mas se não posso senti-los, o que fazer com as horas?

É chão, chuva, prisão. Acordar para o descontentamento.

Depois de dar uma bordoada no amor fiquei com a cabeça partida. Uma avalanche de sensações desanimadoras. Se ao menos o telefone tocasse, eu sentiria vontade. Talvez levantasse das profundezas do raciocínio que não se completa.


O sono não vem e o apetite é desobediente. O cigarro já nao tem mais sabor. O tesão evapora. O coração é preto e só bate de ansiedade. Respirar? não sei do que se trata. Cerrar os olhos está impregnado no semblante. Chorar? se resolvesse... ou só se resolvesse.

Dos mandamentos do amor, dizem que temos que ir a luta mesmo quando não há resposta. Será que vale a pena ficar nu se o amor insiste andar vestido?

Gostaria de ser direto, mas não vou escrever uma peça onde apenas eu atuo. Não é um monólogo e meu coração não pode ser o único agente que deixa a vida - dos outros- de cabeça para baixo. Por maior que seja a dor e independente da impressão, eu sei que minha missão é apresentar-lhe uma nova realidade. A minha inquietação é que nao compartilho de reciprocidade. Eu também alimento ilusões e fantasias - que nao tenho certeza se são só ilusões e fantasias - que precisam de sua contestação. Eu também quero viver um mundo novo.

Sei também que nao posso esperar que invadam minha alma por terem-na compreendido, ou pela simplicidade do amar. Não sei se a ação do tempo mudará o amor em mim. Se houver tempo. Sei que fugir é um desperdício. Por que promovemos esse desperdício?

Eu me desconsertei, eu desperdicei.

Fui possuído pelos demonios capitais e não permiti que minha alma angelical falasse de mim em primeiro plano. Fui condenado por minha maneira de ser.

O caminho da felicidade é extenso e tortuoso e recomecei minha peregrinação. A vida é para quem espera pelo amor desesperadamente.

Sou bom e mau. Sou bem bom e mal mau.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Ro Ro

Ainda lidamos com o amor como se ele fosse possível. Não temos bondade para tirá-lo do mundo das idéias. Vivemos toda tristeza
que é dada porque o amor não se entede ao som da bossa.
O amor desafina ao tocar o samba das condições. Preferimos dormir embalados pelas notas do orgulho e da angústia, para variar. Dormimos?
São dias em que não encontramo-nos, não despedimo-nos e permanecemos perplexos com nossas fraquezas. Ah! se pudéssemos deixar o amor para lá. Voce pode?
Eu não posso. Eu quero é mais. Eu quero, mesmo em sonho, ouvir bom dia e obrigado. Eu é que estou obrigado. Eu sinto e alivio os instantes. E não sossego. Convalesço, resigno-me, ando de um lado para o outro, repudio, rebelo-me.
É devaneio, liberdade, necessidade, ilusão, vaidade, adestramento, doutrina? o quê que impede onde esconde-se?
Depois vem os 30, os 31, 32 e continuamos pensando e falando aresias porque nao temos nada melhor para fazer. O mundo é louco.
Colocaram cachaça na minha mamadeira. Tenho talento para deixar o legado de impressões horrorosas. O mundo é um horror. Mas dizem que a vida é maior. A compaixao está falida.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

A benção


Eu sei que a vida é um prazeroso sofrimento. Mas é um sofrimento. E se é um sofrimento, não vejo mais a morte com tristeza. A morte é mãe da vida. E se eu não chorar, e se eu tiver medo da mãe. E se eu não tiver medo. Eu não gosto de falar, eu não desejo falar, eu não estou para falar. Sou para ser lido. Alma não fala. Alma é com vontade e contra a vontade sempre lida. Mas a lente quase nunca alcança a dor. Não tenho intenção de ser covarde, embora eu seja covarde, embora eu não seja covarde. Eu não preciso explicar, só sinto vontade de ser compreendido. Se eu não amar é porque já deveria ter partido. Porem, a mãe diz que é para amar e ela não quer me levar. Eu não durmo, eu não como, eu amo, eu não amo. Às vezes espero a Voz do Brasil terminar para chegar em casa e ligar o rádio, às vezes chego em casa e ligo o rádio para terminar com A Voz do Brasil. Eu amo o que não tenho e tenho medo do que tenho. Eu me alimento da luz do sol e da chuva. É fácil carregar o castigo. Difícil é saber o que não é pecado. Se eu fosse um pecado não teria nascido. O que há sobre minhas costas, então?

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Como se fosse a primeira vez





Ah! ouvi outro e resignei-me nos seus domínios:
Fui jurado para morrer de amor!
Passei a longevidade da solidão remoendo a infidelidade.
Claro que nao cheguei a conclusao alguma.
Meu coração é muito pequeno,
Não suportou o infinito do amor, embora ele seja particular.
Celular, automóvel, banco, festas, cartão do dia dos namorados,
Eu menti pra mim.
Por que é preciso palpitar o peito e temer as diferenças?
A vida é teimosa, não pára de passar a mão em mim.
Irei esbofeteá-la e contar pros diários que matei e morri por amor.
O remédio para o sofrimeto é sofrer a dor do novo amor.
Será que se eu perdesse a memória todos os dias e tivesse que recomeçar as histórias no dia seguinte, como se fosse a primeira vez, a vida deixaria de passar a mão em mim?

Tudo que tenho a dar saõ minhas palavras.

sábado, 28 de abril de 2007

Esse nosso estranho amor

Samuel houvera construído uma barreira de desejos do tamanho dele. Uma montanha de embrutecimento devoradora, amiúde e transponível. Bastava o que e quando ele julgasse necessário para rompê-la. Samuel, porém, não sabia o que e quando era certo. Dos estilhaços, sobrara vida nova. Ele cria.

De amor, ou do que ele esperava que fosse o amor sobreviveu.

Júlia era um dos fluídos de Samuel. Um amor latente, desprotegido, guardado na caixa do desconhecido. Nesta, Samuel, ruborizado, costumava depositar esperanças. Júlia, impiedosa, não continha o dom de dividir Samuel em pedaços. Na caixa do amor conviviam, obviamente, as dores e as alegrias: havia a carência-suprida-agora para onde fluía o amor imediato.

A menina de perfume doce que afasta a saudade alegre, que cobre de verniz os amores impossuídos, reparte-se em alma de muitas amantes. Ela despertava o medo, acendia a sandice.
Nas matinês, ocupadas pela mulher amante de face mil, a luz emanava da mãe dos que brigam na arena da liberdade, a bela que criou asas, fugiu do paraíso e pariu filhos batizados de demônios. À deusa pagã, Samuel se dirigia durante a aurora:

== Os sentidos indicam que é preciso ser profissional com as emoções. Quero que honestidade seja suficiente para ver o mar ao nascer do sol. Mas sei, antes, regras de jogo serão absorvidas e eu terei que aplicar xeque-mate. Dizem que os que realizam, embora sofregamente, o que gostam estão mais próximos do sucesso. Hoje consumimos substantivos próprios e gravamos nomes sem conteúdo.

Na inquieta manhã, Júlia silenciava. A mente da musa escondia as respostas que as estações protegem da ansiedade.

Quando se dispunha a levantar, Samuel era fisgado pela luxúria. O frio aguçava as intenções de um coração voluptuoso. Mas os beijos malogravam. A ternura se dispersava no abismo da falta de compromisso. Samuel dedicava retóricas egocêntricas, carregadas de intensidade.

== Tenho sensações conflituosas. Não vejo-me purificando os pecados num purgatório dantesco por causa da lascívia e sequer posso dizer-te da profundidade de minha dúvida. Prezo pelo poder dessa liberdade, porém confesso que o charme, não raro, sufoca e abandona os objetivos agonizantes. Em troca das palavras, deixo-te sentir ora a aderência, ora a repulsa de meu corpo. Os devaneios reprimidos e desnudos carimbam-nos de maturidade, receio, tesão. Sua alma precisa entender que meu espírito é par de muitos. Permita-me ejacular sem culpa.

Júlia não temia histórias nunca escritas e aceitava o amor descabido porque notívaga como era, reproduzia-o. Seu cheiro de erva revelava que amor não tem tempo nem domínio.
== Sua agonia é filha de sua preguiça Samuel – dizia Júlia. É incompreensível como podes carregar tamanho desequilíbrio. Tu precisas remediar, porque sei que existe um ponto de entrada em teus beijos flamíferos. Ah! Essa imensidão vazia que te enclausura. Estes teus olhos caídos que clamam por mim seriam erguidos se tu assumisses a luz retumbante de tua alma.

== Se eu pudesse entender, não hesitaria. A masturbação que ocupa minhas mãos agora impede-me de sair e pensar. Os sonhos so me chegam pela manhã e são arrebatadores. Desperto com o coração pulsante, fugindo pelas costelas. Ele dispara os devaneios impertinentes da madrugada, imagens de tormento, palavras que não alcanço, assim como não compreendo meu raciocínio. Eu não sei sobre o que descrevo. Porém independente da clareza ou incoerência dos meus prantos, o alívio acaricia-me quando posso confessar-me. Ditas ou escritas, minhas palavras quando chegam a tua consciência levam com elas meus tormentos e abandonam-me nu. Sinto-me feliz e livre ao repudiar meus pensamentos. Antes de teu veredicto, creia que assim meu coração esvazia-se para amanhecer carregado de declarações de amor por ti.

Julia apavorou-se impressionada com tamanho coração ardil. Para ela, o amor de Samuel transcendia a natureza deles. E continuou.

== Tua sorte Samuel está no teu coração sereno. A vida não deixar-te-á sozinho porque não temes dividir a dor

==Decerto, menina minha, não precisas sofrer o castigo vertiginoso de beber da loucura minha. Por obra da natureza ofereço-te os desejos que possuo e é tudo que há de ser dado como recompensa. Não posso pedir-te ou dar-te mais do que a vida fez-me.

Depois de mira-lo o quanto quis, Júlia franziu a testa e disparou inconformada:

== Eu sei que o sossego abra a porta para tua entrada quando tu satisfazes os teus desejos simples de compartilhar o desjejum à sombra de minha companhia e quando não tens dúvida que os votos cristãos estão assegurados por mim. Sinto tua esquizofrênica dor moradora desse mundo paralelo da (in) fidelidade que lutas para abandonar. Complexa parece, mas a equação do amor que emanas será solucionada se tu tiveres força para assumir que amas por demais. Creio que no teu peito vagueia meu sangue, embora atormente-me saber de teu corpo vagando pelo mundo. A quem pertence o fardo da decisão?

Conta a história que Samuel atarantado decidiu que não saberia responder e antes que o sono fosse embora novamente, resolveu largar o cigarro, guardar o espelho e deitar.

== Quiçá minha agonia tenha nascido hoje que exalamos cheiro. Amanha somos carne apodrecida sob a terra. Ainda não compreendo a dor e sequer a urgência divina.

E continuava em pensamentos que mais pareciam disparates. Decerto, não sentia a extremidade das decisões que tomava. Cortar o cabelo, por exemplo, era o experimento direto do efeito do tempo sobre a forma da atuação. Samuel depois de ficar careca, começava assim:


== não havia me dado conta dos riscos que corria. Eu queria mais. Era o vazio de atuar. Percebi, no instante apenas, que ela me veria antes e depois das cenas: a lua me levou ate as outras e as horas me abduziram para outro plano. Vi tudo, nada, além e aquém. Aqueles copos e aquelas latas quentes e geladas, não esquecendo dos cigarros, deixaram-me transtornadamente bem. Demasiado torpe, dominado e dominando poluições prodigiosas, ordenei os acessos de popularidade, traguei os surtos de vaidade e dancei sob um sereno de beijos.

Samuel em tempo recente decidiu aderir ao que faltava-lhe a escrita. Acatou de um amigo a descrição da angustia que fulminava-o. No auge da segunda adolescência, ele compreendeu que não morrerá por isso, talvez de cirrose, mas não de amor.

desperdicio


07/11/2006 00:52:09
Pela razão, nao vou desperdiçar meu amor para quem nao me quer, ainda assim, duelo. E quando a gente vai e volta é que percebe que muito ou pouco nada valem. É preciso apreciar os detalhes, de tudo, inclusive do amor. Suspiro constrangido, receio aos olhos. o dia tem sido frio e a noite densa. a tensao veio sempre e veio depois. sinto a perda pela vizinhança. resignação: nao amo sozinho, vejo do outro lado da rua que estremece. pare para respirar. Narciso insiste em dormir, mas nao me faz companhia. Sinto ansiedade pelo retorno, pela falta, pelo amor. o tripe apoia a angustia. o triangulo é tocado pela saudade que canta as desilusões do coração e da vida. há horas que deixo de existir. será que meu destino é querer mais do que posso ter e ser?Melhor assim. Ainda que o seja, se não o fosse, teria nascido carangueijo! mas o tempo nao anda pra tras. Vinho doce amargurado, paz, paciência, persistência... só o amor me leva para a berlinda.Ele que me justifica e mata, renasce, trasncende a justiça, devolve-me a mim.

remediado


18/08/2006 12:14:56
Se o que não tem remédio remediado está,

permaneço convalescendo, assim, no gerundio, sentindo sempre.

A saudade não dá trégua.

Vivo eternamente do tormento de todas as horas.

Precisaria barrar o ar e acordar com amnésia.

AGOSTO, O MES DO DESGOSTO, PREPAREM-SE, DEIXAREI A GOSTO DE DEUS.

PENSEI NÃO IR A FESTA

PENSAM QUE É SO INFERNO ASTRAL

PENSO QUE É O INICIO DO NOVO DE NOVO

CERTO AGORA

DUVIDO DAQUI A POUCO

AMO SEMPRE

olho

10/07/2006 01:18:34
é como meu olho, de um lado, a azurra de outro, e no fundo, o tom da melancolia, que espero se torne apenas meu filho mais romantico, e assim o bom dia sai com halito de saudade e me afogo nos ares da dor do amor. amanha continua... mas o meu prazer está em lhe transformar num amor imprevisível as vezes parece ser muito frio. é apenas defesa. é preciso encarar o mundo. no fundo é puro romantismo e medo de se apaixonar. tem receio de amar. é sinal da decencia. eu perdi essa decência, e depois de ter perdido um amor, descobri que tenho que resgatar a decencia/inocencia. como diria clarice lispector, eu quero sim uma verdade inventada. depois será entendido que os principios e as crenças que nos apropriamos para suportar a vida, ou dar sentido a ela, sao inventadas, so que a natureza é mais crua que nossas ideias. ando meio ferido, e por isso, tudo me faz pensar e sentir e . o amor doi justamente porque revela os pontos fracos. ele não vai voltar

praticando o amor

28/06/2006 23:51:26
e o amor... eu pratiquei na hora errada, além, eu achei que podia sentir a liberdade dentro do amor e nao podia. eu librianamente amarguei a doce indecisao do ser. ha liberdade no amor, mas eu somente depois entendi que nessa terra eu me redimi da verdade. e a verdade é que o tempo vale o tempo do amor, que com a terra nasce de novo. eu so teria uma chance. eu vejo o futuro e vejo o passado presente. é blasfêmico. amor e destino. a vida me levará até ele

clarice


29/05/2006 12:14:54
Estava lendo "A Paixão Segundo G.H." , de Clarice Lispector, quando parei para lavar a louça, acredite, dar forma a desordem, e fui ate a pia de lavar roupa para pegar sabão. Lá,de súbito fui tomado pelo susto, uma lagartixa, branca quase transparente, morta, afogada nas aguas da chuva. " Não compreendo o que vi. E nem mesmo sei o que vi, já que meus olhos terminaram não se diferenciando da coisa vista. Só por um inesperado tremor de linhas, só por uma anomalia na continuidade ininterrupta de minha civilização, é que por um átimo experimentei a vivificadora morte. A fina morte que me fez manusear o proibido tecido da vida...eu sou a barata, sou minha perna, sou meus cabelos, sou o trecho de luz mais branca no reboco da parede - sou cada pedaço infernal de mim - a vida em mim é tao insistente que se me partirem, como a uma lagartixa, os pedaços continuarão estremecendo e se mexendo...de nascer ate morrer é o que eu me chamo de 'humano', e nunca propriamente morrerei." Para acrescentar ao perfil: “de morrer, sim, eu sabia, pois morrer é o futuro e é imaginável, e de imaginar eu sempre tivera tempo. Mas o instante, o instante este – a atualidade – isto não é imaginável...” sei apenas que a atualidade é desagradável. A urgência do tempo, do viver hoje, me é dada não como uma natural perspectiva de morte, suave, não é burguesa, que tem tempo de beber do Nada da água que alimenta a alma – apesar da parcimoniosa quantidade de alcoólatras do amor nesse caso – e também apesar da imundície dos mal entendidos, não tenho tempo para apreciações. E PENSEI QUE , NO FUNDO, EU NÃO ENTENDIA O AMOR, MAS DESCOBRI QUE O AMOR TAMBÉM NÃO ME ENTENDIA. A sensação é equivocada – a vida corre o risco de ser quase sempre um equivoco. Não, há ainda a alegria, ela é precisa, atemporal. Mas ate lá continuo sem ter tempo para a vaidade do ciúme. Recorrer hoje à vaidade é nutrir ate. E antes que se pense a vaidade como diabólica, lembre-se que ela é descendente da matéria de que é feito o amor. A sensação é de arraso, o arraso da dor da surra no pau de sebo da propriedade. É preciso muita sombra e água fresca, ainda que a custo, para matar a sede da paciência do tempo de tolerância. Amanha mais um dia para esperar nova e alvina alteração de perfil... “o sal de lagrimas nos teus olhos era meu amor por ti...ao meu beijo tua vida mais profundamente insípida me era dada, e beijar teu rosto era insosso e ocupado trabalho paciente de amor...”

traficante

15/05/2006 17:50:14
Se me disserem mais uma vez que preciso de dinheiro para amar, não quero mais o amor. Se me disserem mais uma vez que nao posso badalar, também não quero mais usar anel. Se o trabalho pesado vai sobrar pra mim, não quero mais morar, vou partir, vou morar no mar, no ar vou abraçar a liberdade e beijar a solidão. É um interior perdido na cidade, pais e filhos andam pelos cajueiros enquanto os ETs contaminam o interior da estrada sexo, coração, drogas, saudade. sou um traficante de almas.

espíritos


15/05/2006 17:42:31
Ah, meu espírito! alguém vai chutar a porta e me esfaquear aos gritos no mesmo instante,

um buraco de concreto quase transparente se abre e me suga para dentro de um limão preto que gira e giro e repito e repito

meus pensamentos repetem

o sono acena para o raciocinio lento cheio de batuque

meu coração vermelho continua a dançar ao som do vento

fim da viagem

não ha melhor opção

todas,no fundo,me farão infeliz

a graça da vida ja tenho

o jus nao

a cratera é infinita

o amor, em algum lugar eterno

estou sobre o limiar do desequilibrio, andando pelas nuvens à beira do abismo, minhas angustias, frustações e decepções vieram me assombrar esta noite,

a historia se repete sempre, e nada muda, vou perder o equilibrio e saltar para o buraco da reclusao.

cansei de respirar

mas preciso morrer beijando para levar a ultima lembrança do amor

Vt - catadora


15/05/2006 17:38:55

ESCALADA

MORADORES DE RUA LUTAM PELA SOBREVIVÊNCIA EM PLENO CENTRO DA CIDADE
CABEÇA

AS VÉSPERAS DO REVEILLON, ENQUANTO MUITA GENTE FESTEJA A CHEGADA DO ANO NOVO COM MESA FARTA, FAMÍLIAS INTEIRAS VIVEM NAS RUAS, A MARGEM DOS ESGOTOS. NOSSA EQUIPE FOI ATE O VIADUTO DO BALDO, NO CENTRO DA CIDADE, PARA CONHECER COMO É O DIA A DIA DE DONA MARIA DA CONCEIÇÃO, CATADORA DE LIXO

Off1 Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada. Para Maria da Conceição, o cancioneiro infantil é seguido ao pé da letra. Há três anos ela vive a margem dos benefícios públicos. Ex-moradora do passo da pátria, onde o antigo barraco foi levado pelas águas do potengi, Maria da Conceição divide a cama, num barraco erguido com papelão, nas imediações do viaduto do baldo, no centro da cidade, com cães e gatos. Aliás, como cães e gatos que vivem na rua, dona Maria não leva uma vida muito fácil. São três filhos, 14 netos e três sobrinhos, que vez por outra, precisam dos cuidados da mãe/avó coruja, que divide com eles o ganha pão retirado da venda de latinhas e lixo reciclável.
Sonora de Maria da conceição de oliveira – catadora, falando das dificuldades

Off2 Quando não recebe doações de desconhecidos, Maria retira água do canal que passa ao lado e cozinha o que tiver no dia, num fogão improvisado. No cardápio? Geralmente pão seco, que fica ali mesmo exposto no chão.
Sonora de Maria falando sobre a comida

Off3 Apesar da fome, do frio quando chove, ou dos mosquitos que causam insônia durante a noite, Maria ainda reúne forças e tem esperança que o novo ano seja mais feliz
Sonora de Maria sobre o que espera do ano novo

virgem de novo


15/05/2006 17:34:09
COMO UMA VIRGEM, QUEBREI O HÍMEM DA INCERTEZA. TOCADO PELA PRIMEIRA VEZ, FIQUEI APAIXONADO POR MIM. A BELEZA, USÁ-LA COM UMA DOSE DE SACRIFÍCIO É IMORAL E FLAGELANTE. E ASSIM DOMO O PARADOXO DO PARENTESCO DO SUPERFICIAL COM O NECESSÁRIO. É UMA QUESTÃO DE ACESSO E TAMBÉM UMA QUESTÃO DE CULTO E SAÚDE E POR FIM, UMA QUESTÃO DE LIBERDADE. ADERIR A MASCULINIDADE OU A FIMILILIDADE TAMBÉM É UMA QUESTÃO DE TEMPO. NO PARTO DA MATURIDADE A PAIXÃO PELA VAIDADE.

a vida corre atras


08/05/2006 18:31:05
Andei fugindo, Na verdade faz um ano que a vida corre atrás de mim

e o medo da pancada me fez brincar de esconde-esconde. Mas sai vagando pela noite e encontrei bruxos, Gente que não faz sexo, mas trepa com a alma. Existem pessoas que juramos ser heteros, caretas e fieis. E na verdade são felizes. olhei e pensei que estava numa festa burguesa e era um bom filme de Almodóvar. a personagem do auto exala leveza nas palavras, o texto das personalidades quando bem articulados são encantadores e reveladores. ainda estou em processo de aprendizagem, aprender a brincar de poliana nao me agrada muito, mas algumas lições servem para acalmar a alma, e na medida do possível, tento viver devagar.

ju, uma garota precoce, uma mulher experiente, me contou que o processo é lento e numa sociedade como a nossa, é pior porque somos julgados por tudo, por cada palavra, cada gesto e, com o tempo, percebemos que o julgamento é unico e somos nós que fazemos. o melhor é definirmos o queremos da e para a vida. o que faz feliz, independente do pré-conceito. ainda bebo de uma fase conturbada. ainda me sinto muito menino e fico surpreso quando encaro as coisas de gente grande. todos nós já beijamos, já amamos, já quisemos nos matar, já bebemos ate cair, já perdemos o emprego e, na verdade, continuamos com medo a todo instante. mas quando cheguei em casa, chorei. não queria mais dormir com o inimigo. deixei o vazio para trás descobri que estava apaixonado, bati a porta do amor e resolvi pedi-lo em namoro. pulei de pára-quedas mais uma vez, mas estou flutuando e devo aterrizar sem arranhões. porque pode ser que eu tenha sido padre noutra vida. os padres da Idade Media eram umas putas e agora resolvi ser freira

neologismo


08/05/2006 18:27:50
DURANTE O BANHO ENTORPECIDO E FORNICADO UMA PAUSA DE INFINITOS COMPASSOS PARA O PAPIRO: MINHA TRAÇÃO PELO CAFUÇUSISMO É PURAMENTE FÍSICA, VOLUPTUOSAMENTE CARNAL.

MINHA TARA NA BURGUESIA, ALÉM DE NARCISISTA À INERENCIA DA PELE É EUFEMÍSTICA, PORTANTO, PSICOLOGICA TAMBÉM .

QUEM SERÁ MAIs EXCITANTE? GOZO MAIS RÁPIDO COM A PRIMEIRA, MAS SABOREIO MAIS A SEGUNDA, NA DÚVIDA, NOS IDOS DA INFANCIA, FICO COM AS DUAS.

AMO E ME COMPLEMENTO COM A DUALIDADE

QUE FASCINANTE É A NATUREZA

A GENTE NASCE, PERMANECE FETO PELO CORDAO E AINDA É PRECISO DESENTUPIR O PULMAO PARA CORRER PARA PEITO ATRAS DO LEITE.

COMO DIZ A CANÇAO, NÓS GATOS JA NASCEMOS POBRES MAS NASCEMOS LIVRES... NASCI AS 8H DA MANHA DE UM DOMINGO

DE UM DOMINGO DE SETEMBRO, 30. TALVEZ POR ISSO, ADOR DO PARTO ME ACOMPANHE ATE HOJE AOs DOMINGOS

OU SERA QUE A CINA É REMEDIÁVEL? É SO A MAGIA DO DESCONHECIDO QUE AINDA NAO DEU A LUZ E QUANDO DER, NUM DOMINGO FESTEJAREI

frango

08/05/2006 18:26:34
A melhor maneira de sentir o sabor do frango, pelo menos a minha maneira, é assado! também pode ser frito ou frango grelhado. sem duvida, prefiro o frango assado, ou ate o frito. Me parece mais natural. Já o frango cozido,embora quando bem feito seja delicioso, perde o sabor diluido na agua. E tempero demais atrapalha o paladar. Por isso prefiro sentir o gosto cru do frango assado. Me aborreço coma beleza quase sempre, mas queria um amor desses de novela para ver junto o por do sol que encomendei ate a velhice, quando a gente vai sentir a delicia da carne que nasce e lembrar da única obra realmente valiosa que deixaremos para tras: GENTE!

carnes

08/05/2006 18:24:03
nao que alguém aquem dos padroes do simulacro ou seja, normal, natural nao tenha lá seus atributos lascivos, mas o corpo trabalhado, malhado, ou sarado como esta definida a boa carne pela massa sexualizante ,salta aos olhos. naturalemente a libido de sua propria carne é atraída para a boa carne e nesse mundo complicado é preciso muito jogo de cintura para articular com os de boa carne e compartilhar na sequencia. Esse desejo logo lhe levara para as academias. e só agora cai na real estou lá o antro do culto a saude, mais ao corpo,respira sexualidade. muita voluptuosidade está camuflada no ritual e no desejo de possuir a carne. carnes, o que elas indistintamente querem é degustar do que é gostoso e os desencanados vao saber separar o joio do trigo

escroto

08/05/2006 18:20:38
voce sabia o que é ser excroto? pensou em putaria? também é,mas se enganou. o equívoco, eu explico: ser excroto é fazer jus ou justiça na maior cara de pau. porque a sua ou a própria pele arde sempre mais é intrínseco ao instinto de sobrevivência. ser amado, lembrar à saudade, receber recados... será o amor para mim? aqui nao. mas vou de encontro a boca, ha um beijo preso na garganta, e me afogo nos suspiros de um orgasmo adolescente. malemolente, o sexo cabe na palma da minha mão e devoro e à espreita, o amor está de sentinela.

que confusao


08/05/2006 18:16:13
NAO ESTOU CONFUSO NEM TROCANDO A VIDA PELA MORTE

É APENAS A VONTADE DE NAO SER I M E N S A! DE PARIR, DE PARTIR DE DEIXAR O TEMPO PARA TRAS

DE CORRER PARA AS PROFUNDEZAS

ESTOU COM A CABEÇA INFLAMADA E O MAU HÁLITO DOS PALIATIVOS AGORA, ENCONTRE ALGUÉM PARA COMPRAR, NINAR E SUCUMBIR AOS DELEITES DA POSSE!!! PELO MENOS HOJE, DEITAREI SOBRE O SILÊNCIO DA NOITE E DORMIREI COM MEUS AMORES DE ALGODÃO DOCE

DE MANHÃ, REFIZ O CAMINHO

AS MESMAS RUAS,O MESMO TATO

OS OUTROS SENTIDOS E SENTI A AURORA DA SAUDADE

balela

07/04/2006 15:20:16
Parece que sempre tem sabor de balela, mas apesar de tudo estou muito bem aos vinte e seis. diga-me que sou o melhor e conto como consegui, ou conte-me como conseguiu que digo que você é o melhor. se tenho meus olhos, sinto o mundo no horizonte, se nao me fotografo, terei o sonho tão distente quanto a lua

engasgado

07/04/2006 15:17:03
E ontem me engasguei com a lagrima na ponta da língua ao ver cabeças brilhantes serem declamadas pelo tosco. o tosco alias esta ficando até cult/trash, uma diversão para ver e se distrair longe, claro, dos olhos graduados. um jornalismo míope no caso um desperdício! e a lua, a areia, o mar e a brisa me fizeram diferente. hoje por uma noite inteira namorei com a pureza da adolescência. sensação preciosa!

postos de trabalho

07/04/2006 15:15:00
alguns postos de trabalho ou algumas rotinas dele ou ainda o sistema gerente parecem tiradas de ou colocadas numa clássica novela maquiavélica de Silvio de Abreu. Aí a vida diz nao e sem querer ou perceber, mudo de vida. porque a confiança no talento, a ponto de ainda acreditar no sonho, de paz na cama, acolhe a alma enquanto nao durmo. e estar aberto a vida nova, amar de novo é possivel, mas nas noites originais de "holloween" a balada inteira vem perguntar pelo passado

convenientemente viril

07/04/2006 15:12:25
sair do conveniente ao nascer é o melhor que você pode ter na vida. voce nao deixa de ser uma pessoa e ainda tem a sorte de ser livre para experimentar a vida. nao é que nao existam convenientes que também tenham o prazer de experimentar a vida, mas estes, assim como os que ja nascem livres da conveniência, são poucos privilegiados. porque boa parte dos livres da conveniência, embora assim o sejam naturalmente, nao cairam na rede nem compartilham da incoveniência. E POR ISSO, AMBOS, CONVENIENTES E INCOVENIENTES, NESSE CASO, NAO SABEM O QUE É FAZER DA VIDA SEXO RESOLVIDAMENTE VIRIL E CONVENIENTE.

sem titulo

07/04/2006 15:09:00
carnaval passado desfilei com as pernas laçadas pelo amor
Agora, ano pagão
fUi a excessos de aniversários e apenas tive que levar os parabéns
ao contrário do passado ano cristão,
a classe média me exigia assistir em tela fina e ontem a noite eu podia ver em preto e branco apenas,
amanhã estarei nas telas finas num domingo sangrento de notas maiores
minha receita: tomates, verdes fritos, ou goiaba com sal
quando criança gostava muito de carrinhos, especialmente os eletrônicos, e hoje troco o onibus pela pajero, na carona
isso é conversa de homem, barba no banheiro, em que sentido dói menos? antes da saída noturna, dois goles de vodka no gargalo e um cigarro complementar no final da noite
a janela dançante alivia o reverso direto, viagem, trabalho impecável! os mortos ressucitaram atormentam a selva de pedras
a vida à vista pasme, estou sovado.

Febre


07/04/2006 15:07:15
Uma tarde febril foi o suficiente

a dor chateia mas é com ela que medimos a carência

vem a luz

e para aliviar a solidão o anestésico.

ah! dor dopada no meu lugar, mereço o paraíso

e no meu lugar,

Ferdinand: eu a enfeitiço e lhe conto sobre os caras que odeio

as garotas que odeio

as palavras que odeio

as roupas que odeio

praia

07/04/2006 14:59:56
Verde para o mar
andar pela areia me faz recordar porque vim
um beijo, um final de semana impudico
reticencias noturnas, entreguei-me para o deleite
molestei a lua
AH! noites levianas
É setembro
tensões precedem o verão
a primavera na virada do ano me delega as paixões
as paixões divididas por quatro pares e primos
os corações poluem meus sonhos e me permitem escolher
escolherei, não ou mudarei o segredo do cofre
existe ainda uma porta livre para os olhos, as palavras e a saliva
entre!

de leve

06/03/2006 10:15:08
leve, bem leve
que as ondas me levem a beira mar
a noite do desatino
roubei tuas impressoes da madrugada e transpus os beijos de uma noite perfeita
com eles purifiquei tua alma
estás feliz porque te joguei contra a história e desviei teu olhar para o imensurável
a continência do amor
os vícios imaculados
o frenesi do reencontro
os abraços intermináveis
não matamos a saudade

rotação

06/03/2006 10:14:04
COMEÇO O DIA ARRANHANDO OS VINIS
O RUÍDO CONFORTA
MAS JÁ SABIA QUE IRIA MERGULHAR NO TURBILHÃO DAS ANGÚSTIAS
ME PREPAREI PARA O POSTO E PARA O OPOSTO
SÓ NÃO ME DEI CONTA AINDA DA VIOLÊNCIA DA MARÉ
FUI TRAGADO PELAS ONDAS DA PAIXÃO E ESTOU PRESTES A MORRER AFOGADO
DO AMOR AINDA NAO ENTENDI
POR QUE SABEMOS QUE DOERÁ
MAS NÃO RESISTIMOS E ACEITAMOS AS ESTACAS NO CORAÇÃO
NÃO DEMORE PORQUE O TEMPO LEVA
EU DEVERIA CASAR COMIGO PARA NÃO TER QUE ESPERAR... MAS SE É INEVITÁVEL QUE MEU PEITO SANGRE
JÁ SEI TAMBÉM QUE QUANDO ESTANCAR COMEÇA TUDO OUTRA VEZ...

O MUNDO SABIA


07/04/2006 14:37:53
antes eu abria a porta

agora sento à mesa

acorde homem morto

U2 para lavar a alma

anfetamina para purificar os hormônios

amigos, cevada, luz, vida

desejo paralizar a natureza

a libido leva à escuridão e se dissolve na areia

nas águas da enfermidade o amor foi vaporizado

miopia, egoísmo

o gosto da noite me mantem vivo

chorei e sorri sozinho

fraquejei

o vento leva às cinzas

a vida muda diariamente

meus sonhos mudam todo dia

aberto para balanço


06/03/2006 10:12:46
FECHANDO PÁGINAS PARA FUGIR DA REJEIÇÃO

FECHANDO PORTAS PARA NAO ENTRAR O SOFRIMENTO

FECHEI O PEITO PARA NAO ABRIR A VIDA

A INTIMIDADE MERECE SER CONSUMIDA E QUERIA CONSUMIR SEU CORAÇÃO

ANDO CATAROLANDO TEUS BEIJOS

AH SE EU PUDESSE DEIXAR TEUS PENSAMENTOS ROUBAREM OS MEUS

CANTAR QUASE SEMPRE ME FAZ VIVER

RECORDO UMA OUTRA AVENTURA QUALQUER

E ME CONTRAIO COM A VONTADE DE TE VER

CANSADO PARA RESPIRAR O AMOR

DEIXO COMO SEMPRE QUE O INEVITAVEL ME LEVE E ME PREPARO PARA O DESENCANTO

NAO PENSO, NAO FAÇO, NAO LEVO... QUER?

choveu


06/03/2006 10:07:06
E TUA PELE ESQUECEU O CHEIRO EM MEU PESCOÇO E A AGUA FRIA DA NOITE CHUVOSA NAO APAGOU A CHAMA DA SAUDADE

PORQUE ERA PRECISO AMANHECER PROTEGIDO PELO AFAGO

É ETERNO VIVER O INSTANTE DA INCERTEZA

E AINDA SEI QUE QUANDO ESCREVO

TU LÊS MINHAS POESIAS ANTIGAS

BOAS E TRÁGICAS COMO A TRAGÉDIA DOS BEIJOS QUE ENTORPECEM E CONFUNDEM DAR-TE-EI O QUE TENHO E QUE ME RESTA

MEUS BRAÇOS PARA ACALMAR TEU SANGUE

A MURALHA HORIZONTAL ESTÁ RUÍDA E ABRE CAMINHO OUTRA VEZ

diminuto


06/03/2006 10:04:36
Diminutivos pra cá, apelidos carinhosos pra lá.

Previna-se, não adianta ter boa vontade. É preciso entrar no jogo se você quiser sobreviver. A vaidade, a vontade de aparecer das cabeças alienadas sempre falam mais alto do que a ética ou o bom senso. Todo mundo quer ser artista. Portanto, saiba que você vai aprender a lidar com a vaidade alheia. Lidar com as panelas, lidar com gente que você sabe que não é melhor que você, mas está sempre por cima, pelos conclaves sociais, pela proteção do status quo. Alienadas, elas entram num processo continuo de emburrecimento imperceptível para si mesmas. Uma espécie de cegueira das próprias limitações. E nós, vaidosos de verdade, modestos, bons de cama sem pudicícias para assumir que estamos além, permanecemos sob a tutela das falcatruas do simulacro e sob a guarda medonha e vergonhosa da burguesia, que esteriliza os que, ainda que medíocres, têm algum traço de lascívia e talento. A natureza – o bom , o belo ou o feio, o verossímil - não se compra. É parida! Elas, as alienadas ou alienantes, desfilam pelo fio tênue da misericórdia. Na passarela do superficial e do artificial: Hamlet acéfalo.

carne viva


06/03/2006 10:03:16
À luz da fumaça que tragavas retiro os lençóis da saudade e sigo pelas ruas da ausencia

cruzo com as indecencias do amor

os olhos nus se desesperam em tuas mãos, mas o cinismo do amor desperdiçado

a saliva do amor no simulacro

ah! como lamento a perfeição, a imaturidade melhor prescindir do equilíbrio, das pretensões polir a loucura,

as contradições o resultado: a liberdade dos encantos e desencantos da dor, da língua, das palpitações do conhecido e do desconhecido

por isso nao interessa a razão

sim abro feliz e com poder todas as portas da lascívia

o deleite da alma ao se esfregar em outra alma tem gosto de carne viva à vida

paciencia


06/03/2006 10:01:23
vem tudo

nao é tudo

nao sei o que fazer com esses dias e essas noites que respiro

sob as ondas o ar é tranquilo

sobre o azul dos olhos o é rarefeito e a tristeza é obvia

nasci do amor para a carne e da carne para o pecado e nao pequei

mas pago a conta que nao fiz

o salvador nao chegou ate aqui

vim para segurar a mão mas onde está o quarto, a casa, a comida, o carro, a carteira?

bebo vinho em taça cheia de amargura

antes, degusto da carne branca da dependencia diariamente e a esperança sai com os dejetos diariamente para lavar as mãos: paciencia

sexta-feira, 27 de abril de 2007

a boa


Que gosto tem a cachaça?
Uma Pitu com laranja me lembra uma passagem.
Pensava que meu primeiro gole com uma bebida havia sido num batizado familiar.
Imagino dez anos de certa inocência.
Fui permitido experimentar a cerveja,
Por isso ate hoje prefiro antarctica.
A verdade é que foi a primeira dose consciente.
Guardo ainda a lembrança do que deveria ser tutor,
Bêbado de punho laminado em riste e um corte na camisa que eu vestia.
E depois experimentei da cachaça.
Não gostei, claro. É um sabor muito esquisito.
E olhe que álcool acompanha um cigarro apagado no umbigo fraterno.
Nunca troquei uma palavra.
Sei que a hora passa e terei nada a dizer
A não ser o avesso do perdão.
É o ego.
À liberdade.
Ao amor.
Ao futuro.
Um gole.
Tim tim!
Eu e você já deveríamos saber que a vida é curta demais para temermos.
E sei.
Sou feliz por gostar da tristeza.
O dia que oficializamos não passa do plano terreno.
A alma está pura desde quando a brasa acendeu o amor

22 de julho 2006

Como uma virgem ( Feliz ano velho)


tenho adormecido e despertado com a companhia de palavras brilhantes. traiçoeiras e independentes como são se despedem antes do cafe da manha, quando ha. assim, como agora, o tempo repousa no eterno particular dos pensamentos. portanto, apenas nao é possivel rerverter angústia em realidade. os espiritos, desde um ano velho,vêm me falar quase todas as madrugadas do ano virgem,que a nudez pode sim ser castigada. sao os sonhos que viajam com a dúvida e pertubam. e sonhos como a angustia não são exibidos. sonhei com a Londres fraterna e platônica. parece-se com a montanha do purgatorio de Dante, sempre ingrime e ventilada pela esperança. a falta de ar substitui o despertador nesse veraneio.na ultima ceia, os deuses que habitam o cérebro rodaram as cenas dos próximos capitulos. episódios da antologia de mim que retratam o demasiado desdenhar do instante. amanha não existe.comida, bebida, amigos, sexo e amor,meus segredos sao de liquidificador.o equilibrio de minha alma é!a carne também é!milícias que me levaram à berlinda.o instinto dá ordem.não subjulgo, nem sublevo, e tenho dúvidas sobre o pecado.mas a razão se rebelou e o desejo anda gentil, cedendo o lugar à necessidade.vi caveiras inebriadas pelo frevo.são minhas veias embevecidas de amor e desamor.pontuo porque cada tentativa traz um roteiro.um longa metragem ensimesmado que levará a vida para contar uma história incontável.o ar, o fogo,os vinhos e eu. vazio!

flores


SE eu pudesse proporcionar o mesmo amor que voce tem hoje, seriamos outros, mas nao vamos viver essa falsa estoria de amor. seu mundo vai acabar. "Entao, quais flores que, a noite, enregeladas, emurchecem, e à luz do sol renascido alçam-se fortes na haste, como novas, assim se refaz meu ânimo caído. Um novo alento invadiu-me o coração e, eu disse em voz alta, firme e convicto:" o nascimento da letra não esconde.A palavra se reserva ao seu lugar e ao delaE flutua pela sala deserta e regado de um amor sobre-humano,cândico e autômato, o refino:pensamento puro que se refaz ao infinito.Desarmada está a alma lúcida e sóbriaQuando amamos ao nosso amor latente.Estou no tempo inevitável de sentir o caosA vida por dentroA dor é alienávelE vai afastar-me da tortura.Agora sim, isolo o desequilíbrio da realidadeA vida tem um tamanho que quase nao cabe em mimE assim dilatando venho as entranhas Para hospedar-me ao lado do amor, à vida.e deve haver uma chance e a hora certa para isto.

quem sou eu parte II


Imenso. Tão longo quanto a homeopatia das madrugadas. Eu me trato. Tu te tratas. Ele se trata ainda que submetido à abstinência dos Mutantes. Adepto do gerúndio: perdendo a força, entrando pelo ralo depressivo. Angústia dosada em gotas. O que faz mal também faz bem quando algemado à expectativa de alimentar a vida com o uníssono amor da carne e da alma. Mas a vida é homicida e adora assassinar a esperança com tiros de pré-conceitos. Pará além do amor antídoto, há a bifurcação: viver ou nao viver. E aquele manto da loucura retalhado pela tesoura do tempo desaparece como se nunca houvesse tecido. Lembrar-me-ei que amor é sobrando o que tenho apenas. Enquanto nao durmo, a beleza esvai-se em rugas e olheras. Concluo que as horas são inimigas, porém provedoras de espírito.

quem sou eu, parte I



Um arranjo produtivo de letras graficamente mais expressivas do que os dígrafos que voam rentes pelo espaço fonético do planeta oral. Assim, penso que o enredo das histórias dos humanos de carne e osso, mais carne do que osso, será sempre contado nas 1ª e 3ª pessoas do singular. À luz do foco Alma, as personagens Alegria, Sofrimento, Angústia, Fecilidade, Fortuna e Amor sao casadas entre si e convivem obedecendo às regras da Gramática da Lingua da Vida - e cometem incesto, claro. Mas quando o Homem é abençoado pela formosura convence quase sempre, ou sempre convence pelos olhos os olhos de quem não pôde decifrar as entrelinhas do foco. A dona da história mesmo é também a personagem de regência nominal das relações: o Amor ao conviver com os picos de irritação das outras personagens se enfeia. Se bem que, em certos parágrafos, roupa nova, um bom perfume, música e companhia apraz são objetos intransitivos que embelezam, aliviam e cerram os por vir insofridos raios do sol de verão e Eu, Tu e Eles ficamos belos. Porém há tantas sílabas tônicas nos diálogos do Amor quanto átonas nas sentenças dos figurantes derivados do polissêmico Sofrimento. Aqui não tem jeito, a Fortuna deforma a formosura do sujeito. A crônica da vida caminha para um desfecho que aponta para o futuro. O que o brio costura, a tesoura do tempo vai retalhando: o manto da loucura. PS.:A nota final da redação promete lograr para o desatino. Os profetas anunciam que acima da média.

mesmo triste eu estava feliz



Nós podemos confiar em e contar com quem?

O QUE? Sorrir dormindo depois do alívio, da paz e do amor

COMO? caindo do telhado

ONDE? sobre a cama da eternidade

QUANDO? Hoje sempre é dia

POR QUE? A felicidade reside no plano etéreo