Díluvio na noite do Dia dos Namorados deixa cupidos ilhados no céu
Os anjos do amor não contavam com a noite chuvosa de ontem na capital. Se para o comércio o dia foi aquecido, para os cupidos restou protegerem-se do frio, apelando para Santo Antonio interceder sobre a crise nos aeroportos do amor
Fragmentos da noite...
Este amor é um cálculo que não estamos obrigados a resolver, embora a supremacia dele seja muito mais relevante. Tomar aulas de etiqueta da vida é a assertiva que os anjos escrivães têm mais prazer em registrar durante o bendito ditado de Seja o Que Deus Quiser. Como sempre.
É o amor que preserva. E preservamo-nos do pré-verso. Nosso coração de criança existe para manter afastada a solidão, mazela ademais trágica na vida. Como desconhecemos ou nos negamos a entender a força do amor, padecemos de aresias. Amor com toda dor que houver de prover é benção. Mas amor desamparado é suicídio.
Porém, existe saída para conter o avanço involuntário e uma possível vitória da morte em vida, a tal da solidão. Há lei soberana que rege a sociedade dos poetas: A crença. É o primeiro decreto datado do dia que deu à luz o mundo.
Decreto nº 01, de 12 de junho de 2007
Dá nova regulamentação ao Decreto-Lei nº 00, do ano da Criação, que dispõe sobre o exercício do amor, em decorrência das alterações introduzidas pela Lei anterior a vida.
Art. 1º - É livre, em qualquer território, o exercício do amor, aos que satisfizerem as condições estabelecidas neste Decreto.
Art. 2º - O amor compreende, privativamente, o exercício habitual e remunerado em lágrimas de qualquer das seguintes atividades:
I - Compreensão ou nao do amor.
II - Para além de Pollyana, não nos amedrontemos.
A vida é um caso de morfossintaxe, de sujeito e predicado, de partir a cabeça para entender e absorver a classe e as combinações da palavra amor. É ação. E é também unidade semântica e estilística. Amor é palavra carregada de certos conceitos que podem variar, de acordo com o contexto em que é empregada. Domestica os enunciados sob pena de não sermos.
É paradoxal, no entanto, que as figuras de linguagem que nos protegem de revelar, aprisionando os segredos nas metáforas e eufemismos, e, por isso mesmo, também possam ser portas abertas para ele. O amor é barato. Polissemia censurada. Até o último, o único suspiro, ainda que ideal platônico.