sexta-feira, 29 de junho de 2007

Paraíso Tropical - Capítulo VII - Final


Não pontuo as histórias
O coração flutua
Sempre
Ah! vaidade que entorpece.
Pedestal sem calço
Olhares dissimulados
Meu amor,
recomendo-te:
Não ande ao contrário.
Sigo os ventos que me sopram no peito
Religiosamente, amando o que não conheço

terça-feira, 19 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo VI - Noiva em Fuga


Como dizer e o que dizer? Já dizia Chacrinha que quem não se comunica se trumbica. Eu diria que quem se comunica se trumbica também. A palavra escrita sempre me caiu melhor e sempre foi o modo mais eficaz de me fazer entender, de dar forma a um raciocínio sem tato ou que não se exprime por outra modalidade. E ainda assim, não será cabal, claro. Surge, portanto, o risco de causar antipatia. Como já causei e sei que continuarei a causar sempre que tentar exibir minha loucura, não me espantarei. O que é certo ou errado a essa altura eu não alcanço. Talvez seja por causa de minha tenra idade e as lições que a vida tem para aplicar em todos nós ainda não me foram ensinadas, todas. É um aliviar de minha espera. Estou aliviando, repare bem:
Beijar sem ser é nauseabundo por demais. De uns tempos pra cá, a idade andou beirando os 30. Então, naturalmente creio que nós passamos a gostar de fazer sexo com a cabeça de cima também. Vem daí a novidade, a atração pelo conjunto da obra. Isso sem complexos e vitimização de mim, esclareço. É uma questão de prática. Nessa jornada tenho passado por picos de pouca altura e neblinas. Muito mais neblinas. É uma novela. Eu sinto um aperreio de não gostar nem de me olhar. E? Não me resta mais paciência para ter que estar me apresentando, me justificando e liberando a tradicional verborragia dos que reclamam da vida ou tem fama que reclamam. Não sou uma pedra, mas preciso de silencio. Certas idéias que nao me competem revelar me corroem muito mais do que não ter. E tenho resistido para que a vida não me prostitua. É um pulsar angustiado todo santo ou diabólico dia, há alguns anos.
E ainda temos que provar a nós e a todos, o tempo todo, alta dosagem de honestidade. Cansamos.
Sou um pedaço de quê? Não desejo transformar o que é bom e a única coisa que realmente mantem qualquer pessoa viva – GOSTAR - em mais um sofrimento. Todo mundo carrega uma cruz, eu sei. Mas a minha já me deixou corcunda e mais uma pedrinha em cima e arrio.
Vez por outra tenho caminhado em direção de uma luz que aparece não sei de onde, e quando chego perto dela é um candeeiro. Tem sido assim também no amor. Embora seja ato divino jogar as mãos para o céu e agradecer se houver alguém que eu gostaria que!!! O futuro do pretérito nesse caso é motivo de alegria sim. Porem não há “vapor barato” que se aproxime de meu estado à flor da pele. É uma pequenez imensa a minha razão.
De vez em quando, divirto-me muito com meus olhos azuis. Escuto musica, converso e o tempo vai passando. Eu quero muito e não quero nada. Apenas estou a procura de um pouco de paz, em todos os apectos.
O amor deveria ser conquistado aos poucos e na medida da intimidade que se ganha. Porque temos que lutar contra nosso espírito perturbado, para ontem. Mas quanto antes nos apresentarmos, mais cedo estaremos livre do constrangimento de nós mesmos. Eu não creio no e quem vai sobrar dos tais caquinhos. Eu não espero por respostas. O meio é a mensagem e é a verdade que hoje jaz em mim.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo V - A última Lei

Díluvio na noite do Dia dos Namorados deixa cupidos ilhados no céu
Os anjos do amor não contavam com a noite chuvosa de ontem na capital. Se para o comércio o dia foi aquecido, para os cupidos restou protegerem-se do frio, apelando para Santo Antonio interceder sobre a crise nos aeroportos do amor
Fragmentos da noite...
Este amor é um cálculo que não estamos obrigados a resolver, embora a supremacia dele seja muito mais relevante. Tomar aulas de etiqueta da vida é a assertiva que os anjos escrivães têm mais prazer em registrar durante o bendito ditado de Seja o Que Deus Quiser. Como sempre.
É o amor que preserva. E preservamo-nos do pré-verso. Nosso coração de criança existe para manter afastada a solidão, mazela ademais trágica na vida. Como desconhecemos ou nos negamos a entender a força do amor, padecemos de aresias. Amor com toda dor que houver de prover é benção. Mas amor desamparado é suicídio.
Porém, existe saída para conter o avanço involuntário e uma possível vitória da morte em vida, a tal da solidão. Há lei soberana que rege a sociedade dos poetas: A crença. É o primeiro decreto datado do dia que deu à luz o mundo.
Decreto nº 01, de 12 de junho de 2007
Dá nova regulamentação ao Decreto-Lei nº 00, do ano da Criação, que dispõe sobre o exercício do amor, em decorrência das alterações introduzidas pela Lei anterior a vida.
Art. 1º - É livre, em qualquer território, o exercício do amor, aos que satisfizerem as condições estabelecidas neste Decreto.
Art. 2º - O amor compreende, privativamente, o exercício habitual e remunerado em lágrimas de qualquer das seguintes atividades:
I - Compreensão ou nao do amor.
II - Para além de Pollyana, não nos amedrontemos.
A vida é um caso de morfossintaxe, de sujeito e predicado, de partir a cabeça para entender e absorver a classe e as combinações da palavra amor. É ação. E é também unidade semântica e estilística. Amor é palavra carregada de certos conceitos que podem variar, de acordo com o contexto em que é empregada. Domestica os enunciados sob pena de não sermos.
É paradoxal, no entanto, que as figuras de linguagem que nos protegem de revelar, aprisionando os segredos nas metáforas e eufemismos, e, por isso mesmo, também possam ser portas abertas para ele. O amor é barato. Polissemia censurada. Até o último, o único suspiro, ainda que ideal platônico.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo IV - Preciso de Férias

A fisiologia se desloca perene
Sinto náuseas no peito
Assim,
Amo-te com meu coração nauseabundo.
Poderia levar a tarde a escrever
Não há mais palavras que o peso que me corcunda.
Eu não sou quem penso que sou,
Nem você.
Não compreendo meu corpo
Não reconheço meus olhos
Não aprendi a lidar com o poder.
Eu,
que sempre tive domínio de mim, até sobre o descontrole, dos outros,
E do que permito sentir.
Eu,
que não tenho talento para tirar proveito,
que não quero sentir o gosto de dinheiro,
que não quero ter meu gosto desfeito.
Não adormeço perdendo a fé no amor.
Eu,
tenho desejos incontáveis,
devo abrir o estômago,
vomitarei loucuras,
Convido para mim o fim.
Eu,
e os amores proibidos,
os pareceres dos divãs,
a linha tênue das relações,
Não estou para amar aos poucos.
Não me agrada discutir honestidade.
Eu ,
que não sei matar a mim,
ando matando o tempo,
ocultando as dores,
consagrando segredos,
orando por lágrimas que me aliviem,
E não consigo me aliviar de mim.

sábado, 2 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo III: Táis, Paula e Bebel

A vida é um folhetim, ou pelo menos assim, ela se torna torna suportável se conseguimos olhar de e por fora.
E devo admitir que acompanho o mimetismo.
Taís é uma comédia tesa;
Paula é louca: cheia de convicções;
e Bebel é a puta, prostituída pela vida, ama e é amada pelo cliente, sem admissões.
Ceticismo.
Estou repleto de convicções e ceticismos.
A vida não tem solução.
É um constante estar.
A felicidade só existe por instantes.
Eu posso confessar?
Quem além de mim é capaz de ser feliz com alguns minutos numa tarde de sol e chuva cobrindo a dor e as feridas Á Meia Voz?
É para lembrar, euforica e fantasiosamente, de todos os detalhes: do beijo, da cor, do gosto, do cheiro, do toque, do olho e das palavras.
É tudo instante passado.
É o coração apertado.
É não saber o que fazer.
É não saber no que acreditar.
Cair e levantar.
Sentir.
Dor.
Dúvida.
E viver.
Ando zen.
Zenoção.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Paraíso Tropical - capítulo II: Preste atenção: sou uma pombajira numa bolha flutuante a espera de uma bala perdida



Se a neurose de existir já não me deixa dormir, numa madrugada de chuva não durmo também porque não quero mais. Eu gosto de apreciar o som, o cheiro e a verticalidade da água.

Enquanto isso, aproveito para fumar o último cigarro da madrugada. Antes do desespero, agora sei, que pelo menos assim, parte do paladar estará recuperado pela manhã, ou pela hora qualquer que despertar.

Enquanto espero, vou escrevendo em papel e sem cores. Porque se for reparar no vinho metal, o sono partirá para sempre. Há muito, aliás, e até a contragosto, a vida tem me obrigado a prestar pouca ou menos atenção no vinho metal. Digo a contragosto porque vinho, por natureza, é sedutor.

A matéria mais difícil é o amor. Que seja ou pareça cristão, surreal, impossível, mas não sei amar aos finais de semana, nem a deus-dará. Exercito o amor diariamente e não me satisfaço. Amor é para ver e ouvir de hora em hora. Amor é para dormir todas as noites.

No rádio, entre uma melodia desgraçada e outra, meu bem você me dá água na boca. Esse rio, ainda estou muito longe, ou sempre estarei, de atravessá-lo. Pode ser que, por um lado, o amor seja alienante: eu crio, eu vivo, eu me apego? Sei que tem sido questão verborrágica de sobrevivência. Do outro lado existe um mundo imenso, infinito, quase inatingível. Eu faço a viagem de Dante pelo inferno para chegar ao paraíso. Mas penso com que roupa atravessarei o caminho?

Resta-me ternura. Eu só tenho ternura. Ternura que me atrevo a achar que sei, quando, na verdade, roubo citações alheias de Freud para crer que ternura é sinônimo de amor. Ternura é a sublimação da energia. É estar. Pairado com rubor efusivo.

É, e existe ainda a picada da fidelidade. O que fazer com ela, como cobrar uma realidade inventada? Fundamental mesmo é ter saúde. Porque é preciso tê-la para suportar o nó do amor. Ah! vida nó cego. Amor é para rir. Porque imaginamos e esperamos transformá-lo em sangue do meu sangue. E quem vai acreditar nisso se minha cabeça é so minha?

A Terra é de Satanás, mas para não morrer de fome eu como feijão com arroz como se fosse um príncipe. E não me afobo não que nada deve ser pra já. Paralisia, contemplação do bem e do mal. Vejo pessoas ao meu lado chorar e pedir por amor. Eu choro pelo excesso e por não saber o que fazer com ele. Até que a morte nos separe e amém.