sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Náiada


Clara e doce como mel que cai da nuvem
Branca tão vermelha
Corada aos compassos e descompassos
Porque a leveza do ser é tão transparente
E tão turva quanto o amor pode ser

Luminar espalha o vento
Para qualquer coração é alento
No Céu ou na Terra
Divina ou Profana
Diastólica

Amanhece clericata,
És comensal
Sem pedir licença
Ouço o romper de tuas artérias despetaladas
Vagarosa e circunspecta inspiração

Ruído ermo na ponta do peito
O clarim da clemência
A trilha sonífera da dor
Do caminho núbil
Até os fios cãs


Idílica
Enquanto você dorme, escrevo
E passo assim noites e dias
No seu posto de lenda
Dentro, a paixão

Sacristia saliente
Pudica ou impudica
Conheço tua alma lavada
Teu vagido
Menina rosa

Santificado e eterno teu nome seja
Tua pureza e tua malícia velejante
Teu astral vernal
Tua compaixão
Teu amor fatal

Ama-te
Pise e fique sem chão
Corra e Pare
Teu mistério é um privilégio
Náiada

Williams Vicente para Clarissa Paiva. Seja Feliz
Mossoró-RN, 11 de novembro de 2011

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