
Eu sei que a vida é um prazeroso sofrimento. Mas é um sofrimento. E se é um sofrimento, não vejo mais a morte com tristeza. A morte é mãe da vida. E se eu não chorar, e se eu tiver medo da mãe. E se eu não tiver medo. Eu não gosto de falar, eu não desejo falar, eu não estou para falar. Sou para ser lido. Alma não fala. Alma é com vontade e contra a vontade sempre lida. Mas a lente quase nunca alcança a dor. Não tenho intenção de ser covarde, embora eu seja covarde, embora eu não seja covarde. Eu não preciso explicar, só sinto vontade de ser compreendido. Se eu não amar é porque já deveria ter partido. Porem, a mãe diz que é para amar e ela não quer me levar. Eu não durmo, eu não como, eu amo, eu não amo. Às vezes espero a Voz do Brasil terminar para chegar em casa e ligar o rádio, às vezes chego em casa e ligo o rádio para terminar com A Voz do Brasil. Eu amo o que não tenho e tenho medo do que tenho. Eu me alimento da luz do sol e da chuva. É fácil carregar o castigo. Difícil é saber o que não é pecado. Se eu fosse um pecado não teria nascido. O que há sobre minhas costas, então?
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