
Entre gemidos, suspiros, sussuros
E como pele macia que transcende ao toque,
O amor.
Recaído sobre nuvens brancas e negras
Meu coração estilhaça-se em partículas inquietas
De amor.
Alva pele e alma de olhos miudos banham-me com a brisa serena,
O Afago.
Ao fogo, o amor alivia-me a dor.
Sofro de amor pueril.
O amor tem sido nada
Além de poeira descansada sobre os contos,
No peito.
Meu peito é feito de lágrima sagrada
Construo vales e rabisco córregos
Por onde escorre sangue.
E meu sangue tanto ferve que é preto
Minhas veias são de amor tonto e tanto
Que se houvesse mais o que dizer
Não existiriam crepúsculo ou aurora
Tom e Vinicius
Nem eu e você.
Mas amor é só enfeite,
À mesa.
A mesa vazia,
Meu corpo nu,
Minha carne crua fragrante
Com cheiro de agonia.
Ao pó.
Sono sem tortura.
Um comentário:
Williams, "A teoria atômica do amor" foi um dos melhores textos já escritos por você. Curiosamente, sempre que leio seus devaneios poéticos, consigo encontrar alguma intertextualidade. Dessa vez foi quando você falou em "recaído sobre nuvens brancas e negras, com o coração estilhaçado em partículas inquietas de amor". A forma como expressa uma espécie de dor atroz, e essa coisa de "nuvens" me fez lembrar uns versos da canção NUVEM NEGRA, do mestre Djavan: "(...) Passa nuvem negra e larga o dia/ Vê se leva o mal que me arrasou/ Pra que não faça sofrer mais ninguém/ Esse amor que é raro/ E que é preciso pra nos levantar/ Me derrubou/ Não sabe parar de crescer e doer."
Continue sempre escrevendo seus textos escancarados de amor, mesmo que sejam feitos para alguém que lhe tenha causado dor. Isso só aumentará sua inspiração e força... Sim, porque você já é forte! Poesia não é feita para fracos, pois eles não têm a compreensão do infinito e são, portanto, incapazes de se sensibilizar com algo tão elevado.
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